sexta-feira, 18 de agosto de 2017

MAISON DE GYROS

A experiência: Paris é lotada de pequenas lanchonetes que vendem aqueles sanduíches gregos, cujas carnes ficam rodando em um grande espeto à vista dos que passam em frente. Decidimos comer em uma destas lanchonetes no domingo à noite. Perto do hotel em que estávamos, havia mais de uma dezena destas lanchonetes. Andamos pelas ruas do 5º arrondissement e nos divertimos muito, pois em cada local que parávamos para ver o cardápio ou o espetão, alguém nos chamava para entrar e experimentar o sanduíche, sempre dizendo que o dele era o melhor da cidade. Escolhemos o Maison de Gyros. Uma senhora nos atendeu na porta dizendo que não nos arrependeríamos de comer ali. Lugar pequeno, apertado e cheio. Ficamos em uma mesinha encostada em uma pilastra. Cardápio com foco nos sanduíches, todos eles acompanhados por fritas e salada verde. Ponto positivo do local: eles não enganam o cliente em relação às carnes. A mulher nos disse que para manter o preço baixo, a carne utilizada no espeto grego era apenas de frango. Resolvi experimentar o sanduíche feito com linguiça que é feita no norte da África, especialmente no Marrocos, e que ficou popular na França, o merguez (€ 7), Para beber, pedi uma lata de 330 ml de Fanta Laranja (€ 2), que repeti a dose durante a refeição. Eles montam o sanduíche muito rápido, que é servido em um prato. Um pão pita grande, feito na casa, fresco, foi colocado por cima de três pedaços de linguiça feita à base de carne de cordeiro, abundantes fritas e um pouco de salada picada com rodelas de tomate. Linguiça bem temperada, que casou bem com o pão. Bom e barato. Ao sair, resolvemos tomar um sorvete na loja Amorino, que fica na mesma rua.
Restaurante: Maison de Gyros
Endereço: 23 Rue de La Harpe, Paris, França.
Data: 07/05/2017, domingo, jantar.
Valor total da conta: € 21, para duas pessoas, incluída a gorjeta. Pagamento em dinheiro.
Minha nota: 7.

LE REST'O

A experiência: era domingo de eleição presidencial na França. Resolvemos passar o dia bem longe dos locais mais agitados, pois o clima de tensão no ar era grande, com muitos militares nas ruas, protegendo os principais pontos turísticos de Paris. Fomos para La Villette, onde há muito para ver e fazer. Na hora do almoço, optamos por almoçar no Le Rest'O, um restaurante que fica dentro do espaço conhecido como Cité des Sciences et Industrie. Não tínhamos muito tempo, pois compramos entradas para dois filmes na La Geóde. Fila de espera, mas sem ninguém para controlar. Um jovem casal com dois meninos pequenos tentou passar na frente, mas logo foi impedido por pessoas que estavam há mais tempo na fila. O salão é grande, com espaço considerável entre as mesas. Os garçons estavam frenéticos de um lado para o outro. Já eram 14:15 horas. As mesas foram esvaziando, mas ninguém as limpava. Foi preciso o primeiro da fila reclamar para que um senhor que nos pareceu o gerente ordenar uma limpeza meia boca nas mesas e acomodar todos que estavam esperando em pé na porta do restaurante. Nós fomos colocados em uma mesa próxima à saída/entrada da cozinha. O estresse dos garçons era visível. O gerente nos disse que tinha faltado gente para trabalhar. Perguntei qual era o prato de mais saída. Resposta imediata: o hambúrguer. Vimos vários deles sendo servidos. Resolvemos acatar, fazendo o mesmo pedido, ou seja 2 hambúrgueres que levam o nome da casa: Rest'O Burger (€ 15 cada um). Para beber, pedimos dois copos de Orangina (€ 3,80). Não era copo servido naquelas máquinas de refrigerantes, mas sim servido de uma garrafa pet de 2 litros. Resultado: quando chegou à mesa estava sem gás. Os sanduíches demoraram tanto que reclamei com o gerente. Após esta reclamação, os dois hambúrgueres chegaram rapidinho. O empratamento era bonito, sendo servido em uma pedra negra. Sanduíche ao centro, ladeado por uma salada de alface e tomate; e por um cesto de fritas cortadas em palitos grossos. A salada estava com ingredientes frescos e tinha um molho levemente ácido muito bom. Fritas crocantes por fora e macias por dentro. O recheio do sanduíche tinha hambúrguer de carne bovina, bem temperado, servido rosadinho por dentro, como pedi; bacon defumado, que estava crocante; cebola roxa cortada em aros, e uma fatia de queijo cheddar. O pão, tipo brioche, era macio e segurou bem todo o recheio. Apesar do serviço confuso e lento, gostei do sanduíche.
Restaurante: Le Rest'O
Endereço: 30 Rue Corentin Cariou, Cité des Sciences et Industrie, La Villette, Paris, França.
Web: http://www.cite-sciences.fr/fr/infos-pratiques/restauration/
Data: 07/05/2017, domingo, almoço.
Valor total da conta: € 38, para duas pessoas, incluída a gorjeta. Pagamento em dinheiro.
Minha nota: 6.

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

BRASSERIE LIP

A experiência: após um longo dia passeando por Paris, decidimos jantar perto do hotel, sem ter que fazer deslocamentos utilizando o transporte público ou táxi. Há muito ouço dizer do Brasserie Lip, um restaurante tradicional, com mais de 130 anos de existência, que figura em vários guias da cidade. Não era longe de onde estávamos hospedados. Fomos caminhando pelo Boulevard Saint-Germain. Chegamos ao restaurante às 21:50 horas. Ao entrar, um garçom perguntou se tínhamos reserva. Não tínhamos, mas havia muito lugar vazio no amplo salão do local, que tem decoração pesada, com muitos espelhos na parede. Pedimos mesa para dois. O garçom nos mostrou uma escada ao fundo, dizendo para subir, que havia mesa disponível no segundo piso. Achei estranho, pois havia mesa limpa e vazia ali no primeiro piso, mas seguimos a sua recomendação. O salão superior é menor, com mesas mais coladas umas nas outras, lugar comum nos restaurantes franceses. O maitre se dirigiu a nós e nos conduziu até uma mesa pequena à esquerda do salão. Perguntei se não poderia ficar em outra mesa, tão pequena quanto, só que no meio daquele ambiente. Resposta negativa. Para que eu pudesse me sentar no sofá que percorre toda a parede, ele puxou a mesa. Enquanto ele a puxava, dois turistas orientais aproveitaram para sair da mesa ao lado, uma mesa de canto. Assim que o maitre empurrou a nossa mesa novamente, eu a corri para o lado, pois queria espaço para eventual saída. Um outro garçom viu, me fuzilou com os olhos e colocou a nossa mesa no mesmo lugar de antes. Decidimos ir embora. Um terceiro garçom perguntou porque estávamos levantando. Respondi que queria espaço. Ele apontou a tal mesa do centro, a mesma que eu queria ter ficado desde o início, que nos foi negada pelo maitre, e nos acomodou nela. Passado este fato, veio o cardápio. Eu entendo o francês, mas não domino a língua suficientemente no quesito alimentação. Tive que chamar o garçom para perguntar algumas coisas.
Um prato me chamou a atenção, pois tinha cinco letras A em frente a ele no cardápio. Perguntei o que aquilo significava. Era um prato super recomendado, uma iguaria, uma especialidade da casa. Era o andouillette AAAAA grillée (€ 22,50). Não sabia o que era, estava sem rede no celular para consultar o oráculo Google, e no restaurante não há wi-fi. Tive que perguntar ao garçom, que tentou explicar, mas só entendi que era alguma coisa relacionada a porco. Então ele apontou para a barriga. Tanto eu, quanto meu companheiro, entendemos que era barriga de porco, prato que gosto muito. Pedi sem exitar. Meu companheiro escolheu um prato que tinha visto em uma das mesas, jarret de porc avec lentilles (€ 22,90). Decidimos também pedir entradas. Eu, uma terrine de campagne (€ 12,50). Ele, um tartare thon (€ 16). E para beber, uma garrafa de vinho tinto Crozes Hermitage Les Jales Paul Jaboulet Aîné, elaborado com a casta syrah, safra 2013 (€ 42). As entradas logo chegaram. Meu companheiro nem tocou na dele, pois o tartare de atum tinha muito pepino cru na sua base. Ele não gosta de pepino cru. Dei minha terrine para ele. Comi o tartare, mas não apreciei muito, pois estava impregnado de coentro, erva que não gosto, pois ela mascara todos os demais sabores. A terrine estava bem feita. Comi um pedacinho. Demorou para chegar o pedido principal. Quando o meu prato foi colocado em minha frente, achei diferente a "barriga de porco", pois estava servida em formato de salsicha, mais grossa, com a casca bem dourada. Acompanhava uma bem servida porção de batatas fritas. O prato de meu companheiro, um joelho de porco assado, servido com lentilhas, era bem servido, muito aromático. Assim que parti um pedaço da tal salsicha, um cheiro desagradável de merda penetrou em meu nariz. Meu companheiro também sentiu. Assim que vi o pedaço que estava espetado em meu garfo, percebi que não tinha entendido direito o gesto do garçom. Andouillette é tripa de porco. E fedia muito. Tirei as batatas do prato e pedi para levar aquela coisa fedorenta da mesa. O garçom tirou o prato com um leve sorriso nos lábios. Ainda experimentei o pedaço que estava no garfo, mas definitivamente o sabor era horrível. Bebi um bom gole de vinho para tirar aquele gosto da boca. Como o joelho de porco com lentilhas era bem servido, dividimos este prato, juntando a batata frita. A carne estava bem cozida, descolando fácil do osso, mas a pele era mole demais. Prefiro quando ela vem crocante. Para compensar, a lentilha estava ótima. Para finalizar, pedi uma baba au rhun (€ 11,90), sobremesa que não encontro facilmente nos restaurantes franceses do Brasil. Veio um mini panetone deitado em uma piscina de calda de rum. A bebida entranhou muito na massa, ficando insuportável para comer. Deixei quase tudo no prato. Pelo menos o vinho era bom. Para piorar a noite, a conta demorou muito a chegar. Coloquei um X enorme no Brasserie Lip. 
Restaurante: Brasserie Lip
Endereço: 151 Boulevard Saint-Germain, Paris, França.
Telefone: +33 1 45 48 53 91
Web: http://www.brasserielipp.fr/
Data: 06/05/2017, sábado, jantar.
Valor total da conta: € 130, para duas pessoas, incluída a gorjeta. Pagamento em dinheiro.
Minha nota: 4 (por causa da lentilha, pois do contrário seria menos).

FONTE

A experiência: trabalho no Centro de Belo Horizonte, onde as opções de almoço são enormes, mas com pouquíssimas cuja relação custo X benefício seja realmente boa. Colegas de trabalho me indicaram um restaurante de culinária macrobiótica. Fui com eles e gostei muito. Tanto é que fui pela terceira quinta-feira seguida ao Fonte, que fica em uma casa dentro da Vila Werneck, um local super agradável. Para entrar na vila, tem que tocar um interfone, onde o restaurante já está identificado. Desta vez, fui sozinho. O local é pequeno e está instalado na última casa da direita da rua à esquerda de quem entra. O Fonte funciona nesta vila desde 1977. Pratica, como já escrevi acima, a culinária macrobiótica, com alimentos orgânicos. Em todas as quintas-feiras em que fui havia duas opções de pratos: o fonte e o oriental, ambos sem proteína animal. Também às quintas, há um prato com tilápia preparada em duas formas: assada ou frita. Não há garçons. Você chega, vai direto ao caixa, faz sua escolha, informa seu nome e espera sentado ser chamado. A composição dos pratos está escrita em uma lousa branca que fica ao lado do caixa. Pedi o prato fonte, sem o arroz integral. Eles chamam esta variedade de complemento (R$ 16,00) e uma tilápia assada ao molho de laranja (R$ 14,00). Para beber, um refresco de banchá (R$ 6,00). Todas as mesas estavam ocupadas, mas ali ninguém se importa em dividir mesa. Fiquei esperando em uma mesa para quatro, dividindo-a com um casal de idosos. Em cinco minutos, chamaram meu nome. Busquei a bandeja na janelinha da cozinha, atrás do caixa, retornando para outra mesa, desta vez ocupada por apenas uma pessoa. No prato havia dois pedaços de abobrinha assada, recheada com tofu ralado, levemente temperado com tomatinho cereja, cujo sabor não me agradou muito, acho que faltou tempero na abobrinha; cenoura e bardana ralados em filos longos, que estavam em ponto crocante; acelga e agrião refogados, com sabor amargo no ponto correto; conserva de rabanete; e cozido de legumes com araruta. Em outro prato estava o filé de tilápia assada coberta por molho de laranja, acompanhada de alface cortada em tiras e uma salada bem refrescante. Gostei muito do cozido, estava bem temperado, e tinha cenoura, repolho, talos de couve-flor, além da araruta, uma raiz muito nutritiva e que é pouco utilizada na nossa culinária. O peixe também foi outro destaque, pela textura, pelo cozimento, e pelo tempero. O molho de laranja era leve, sem agredir o sabor da tilápia. O refresco, chamado de refuresco, é realmente refrescante, especialmente se tomado em dias quentes. Eu sempre como muito rápido, mas ali no Fonte, vendo as pessoas sem pressa alguma, acabo por ser contagiado, comendo mais pausadamente. Na mesa em que me sentei havia um homem que sempre almoça ali. Ele puxou conversa e batemos um ótimo papo sobre o restaurante e a Vila Werneck. O fato de ela estar no centro da cidade contrasta com o ritmo intenso deste mesmo centro, já que é um local tranquilo, gostoso de ficar. Assim que as pessoas terminam de almoçar, elas levam a bandeja com os pratos sujos até uma outra janela, onde os empregados, sempre sorridentes, a recebem para lavá-las. Já escrevi que não sou adepto a este tipo de "faça você mesmo", pois isto retira postos de trabalho. Eu ia deixar minha bandeja na mesa, mas o homem com quem fiquei conversando se ofereceu gentilmente para levar a minha junto com a dele. Aceitei, agradecendo. Para pagar, com a comanda na mão (que lhe é devolvida quando você pega o prato com sua escolha), fui novamente ao caixa. Tudo simples e rápido. Ainda ganhei mais uma assinatura no meu cartão fidelidade. Completando dez refeições acima de R$ 25,00, o cliente assíduo ganha uma refeição de até R$ 30,00.
Restaurante: Fonte de Minas
Endereço: Rua Guajajaras, 619, Casa 13, Vila Werneck, Centro, Belo Horizonte, MG.
Telefone: +55 31 3224 9630
Data: 17/08/2017, quinta-feira, almoço.
Valor total da conta: R$ 36,00. Pagamento em cartão de crédito.
Minha nota: 8.

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

LA CHAUMIÈRE EN L'ILE


A experiência: era sábado, dia 06 de maio. Chovia em Paris. Depois de enfrentar uma fila enorme, que andou rápido, para entrar na Catedral Notre Dame, desistimos de entrar em outra fila para subir na sua torre. Tínhamos fome. Resolvemos almoçar ali por perto. Alguns metros e alcançamos a Ponte Saint-Louis, que dá acesso à ilha de mesmo nome. Na esquina da direita, terminada a ponte, está o restaurante La Chaumière en L'ile. A chuva apertou. Era ali mesmo que seria nosso almoço. A especialidade da casa é a tradicional cozinha francesa. Como na maioria dos restaurantes deste tipo de Paris, a calçada em frente é tomada por mesas e cadeiras com espaços diminutos entre elas. Fomos prontamente recebidos. Escolhemos uma mesa no pequeno salão interno, à esquerda de quem entra, espremida entre a parede e o balcão do bar. Não tivemos dúvida em eleger  a chamada formule: entrada, prato principal e sobremesa. Este menu custava  18,50. Para beber, escolhi uma garrafa de 330 ml do refrigerante local, Orangina (  5,50). Para quem não conhece, é um refrigerante à base de laranja, com coloração amarela, cujo sabor em nada lembra a nossa Fanta. Tem mais gosto da fruta. Dentre as opções apresentadas pelo garçom, escolhi os seguintes pratos da culinária francesa:
1) entrada: salade chèvre chaud - clássica salada de folhas verdes com um pequeno queijo de cabra quente no meio. Pedaços pequenos de nozes deram a crocância necessária ao prato. O queijo era de gosto suave, embora com aquele sabor marcante deste tipo de queijo. Bem feito.
2) prato principal: coq au vin - mais um clássico da gastronomia francesa, o famoso frango ao molho de vinho. Chegou rapidamente à mesa, tão logo terminamos nossas entradas. Era razoavelmente bem servido, mas achei a carne um pouco dura. Acompanhou o prato uma guarnição de batatas assadas, que estavam temperadas com ervas. Foi o melhor do prato.
3) sobremesa: tarte tatin - e tome clássico francês, desta feita a tortinha de maçã. Servida morna, tinha uma fina massa, que cumpriu a função de dar suporte ao portentoso recheio de maçã cozida. O melhor do almoço.
Durante a refeição, quatro pessoas foram acomodadas na única mesa que havia disponível no salão interno. Justamente ao nosso lado. Foi uma dificuldade para todos se acomodarem, pois não havia como eles se sentarem sem que nós nos levantássemos. O garçom foi bem gentil, ao perceber que iria interromper nossa refeição, levou os quatro comensais para dentro do bar, de onde acessaram a mesa pelo outro lado. Estávamos tão próximos que parecia uma única mesa. Como sói acontecer em Paris.
Terminei com um bem tirado café espresso ( 2,50).
Quando saímos, havia fila de espera, com mais de dez pessoas aguardando sua vez para também almoçar.
Restaurante: La Chaumière en L'ile
Endereço: 4 Rue Jean du Bellay, ile Saint-Louis, Paris, França.
Telefone: +33 1 43 54 27 34
Data: 06/05/2017, sábado, almoço.
Valor total da conta: € 55, para duas pessoas, incluída a gorjeta. Pagamento em dinheiro.
Minha nota: 7.
Observação: a foto que ilustra esta postagem não é de minha autoria, pois meu celular ficou sem bateria pouco antes de irmos para o restaurante. Baixei do site http://www.isl-paris.com.

segunda-feira, 31 de julho de 2017

LES FOODIES

A experiência: o segundo jantar em Paris em nossas férias de maio de 2017 foi um achado. Não tínhamos noção de onde ir, mas queríamos comer em um dos muitos bistrôs que fervilham nas noites do Marais. Era sexta-feira, fazia frio. Depois de muito andar, entrar em mais de um restaurante, chegar a sentar e desistir, meu companheiro, vendo minha cara de poucos amigos, enfim achou um restaurante em uma esquina escondida por uma multidão de gente que estava em um bar da cena gay parisiense. Passamos por tal multidão, alcançando um simpático bistrô, com o azul dominando as paredes externas. Um misto de recepcionista e garçom nos recebeu na porta, perguntando se queríamos beber no balcão do bar ou jantar. Sabendo que iríamos comer, nos levou até uma confortável mesa na lateral da esquerda de quem entra. O local era novo, tendo sido inaugurado no segundo semestre de 2016, mas seu chef já tinha passagem por restaurantes indicados pelo Guia Michelin. Para tirar um pouco o mau humor da caminhada sem fim, pedi meu drinque favorito, o Spritz Apèrol (€ 10). Não tardou a chegar à mesa. Foi um divisor para meu humor naquela noite. Para jantar, começamos dividindo uma entrada, uma salada de polvo grelhado, acompanhado por queijo scarmoza e homus (€ 17). Mistura de sabores, de influências culinárias, que teve um bom resultado no paladar. O polvo estava no cozimento correto, macio, bem temperado. Foi um ótimo cartão de visitas para o que viria em seguida. Meu prato principal foi um frango caipira de Gers, servido em leito de quinoa negra, aspargos brancos, pimenta e laranja (€ 24). Prato bem servido, exalando muito aroma, já que elementos poderosos estavam nele, como a laranja e a pimenta. Mais uma mistura de sabores e influências culinárias distintas fizeram deste prato uma experiência agradável no meu paladar. Já estava satisfeito, mas o garçom nos convenceu a pedir sobremesa, tipo se não gostar, não paga. Pedimos as duas que ele indicou: um tiramisù (€ 8) e um les foodies split (€ 9), uma versão da casa para a famosa banana split. Experimentei as duas. Boas, bem executadas, mas nada de excepcionais. Terminamos, assim, um bom jantar. Graças ao acaso!
Restaurante: Les Foodies
Endereço: 6-8 Square Sainte-Croix de La Bretonnerie, Le Marais, Paris, França.
Telefone: +33 9 82 42 73 09
Data: 05/05/2017, sexta-feira, jantar.
Valor total da conta: € 85, para duas pessoas, incluída a gorjeta. Pagamento em cartão de crédito, sendo a gorjeta em dinheiro.
Minha nota: 8.

DERRIÈRE

A experiência:  uma amiga, ao saber que eu estava em Paris, enviou uma mensagem sugerindo um restaurante, sabendo que eu gosto de conhecer locais interessantes. Era o Derrière. Depois de muito caminhar pelo Marais, decidimos almoçar neste local. Olhamos no mapa a melhor rota de onde estávamos e caminhamos até ele. O restaurante fica em um prédio afastado da rua, tendo uma passagem que chega a um terraço interno, onde algumas mesas estavam disponíveis. Fazia frio. Preferimos entrar. Assim que entramos, um atendente olhou o relógio: 14:50 horas. Pedi uma mesa para dois. Ele chamou outra pessoa que nos disse que a cozinha fechava em dez minutos, mas que nos atenderia se fôssemos rápidos em nosso pedido. Nem precisava de muito esforço para decidir, pois o menu do almoço é super enxuto. Você escolhe uma entrada e um prato principal, ou um principal e a sobremesa, incluindo uma bebida, ao preço fixo de  25. Se quiser o trio, paga-se € 30. Eram cinco opções de entradas, cinco de pratos principais e quatro de sobremesa. O garçom ficou em pé ao nosso lado, meio que fazendo pressão para tirar o pedido. Ambos escolhemos o menu de  25, ambos bebida + entrada + prato principal. Para beber, pedimos Coca Cola Zero, garrafa de 330 ml. Minha entrada foi antepasto de berinjela, homus e coulis de manjericão. Entrada muito bem servida, com ótimo aroma. O visual que não ajudava muito. O sabor era forte, mas sem ser enjoativo. Com o pão que foi servido em uma cesta, ficou ótimo. Assim que terminamos de comer as entradas, chegaram os pratos quentes. No meu caso, foi um um leitão de leite assado em baixa temperatura, acompanhado por acelga e abóbora moranga grelhadas. Mais um prato bem servido, também com um visual feio, mas muito aromático, pois era temperado com muitas ervas. Carne macia, quase derretendo na boca. O sabor amargo da acelga foi um bom contraponto ao sabor delicado e adocicado da carne de porco. Somente depois de almoçar que fomos curtir a decoração do Derrière. Com muitas peças de brechó, seus ambientes são decorados de forma despojada e alegre. O restaurante ocupa dois pisos do prédio, preservando os antigos ambientes da casa. Assim, você pode sentar em uma mesa pequena no antigo banheiro, ou em uma mesa grande no salão principal. Os banheiros também são um caso à parte no quesito decoração, com banheiras servindo de pia, por exemplo. Ficamos sabendo depois, que é um dos restaurantes pré-balada do momento, sendo suas noites bem concorridas, sendo recomendável reservar antes.
Restaurante: Derrière
Endereço: 69, Rue des Gravilliers, Paris, França.
Telefone: +33 1 44 61 91 95
Web: http://derriere-resto.com/fr/restaurant/paris/derriere/about/
Data: 05/05/2017, sexta-feira, almoço.
Valor total da conta: € 50, para duas pessoas, sem gorjeta. Pagamento em dinheiro.
Minha nota: 7.