terça-feira, 18 de julho de 2017

FORTECA

A experiência: chegamos em Dubrovnik no início da tarde. Depois de fazer check in no hotel e colocar as malas no quarto, saímos em direção à parte antiga da cidade. Fomos de ônibus, cujo ponto final fica na entrada principal da cidade muralhada. Assim que descemos, percebemos o quão movimentado era o local, com centenas de turistas aproveitando o belo dia que fazia. Era 01º de maio, feriado mundial. Antes de entrar, decidimos comer do lado de fora, pois não tínhamos noção como era lá dentro e não estávamos dispostos a ficar andado erraticamente para procurar um local para almoçar (depois de entrar, vimos que havia opções para todos os gostos e bolsos, com muito mais tranquilidade do que do lado de fora). A ideia era lanchar, nada de pesado, pois queríamos aproveitar bem aquela tarde passeando na cidade antiga. De onde paramos, demos uma geral no que nossos olhos viam, escolhendo um pequeno local, subindo a rua que ladeia a muralha. O lugar estava recém aberto, pouca gente do lado de fora e ninguém no salão interno. Era tipo fast food, pois as cadeiras eram altas, para ninguém demorar muito ali. O proprietário, muito simpático, nos atendeu no balcão, dando dicas do que comer. Chama-se Forteca o local. É uma sanduicheria, com opções de clássicos como hambúrgueres, passando por sanduíches elaborados por eles, tortilhas, kebabs, nuggets e saladas. Resolvi acatar a sugestão do dono, pedindo um sendvic pilletina (Kn 40), enquanto meu companheiro foi de tortilla forteca (Kn 45). Para beber, ambos escolhemos Schweppes Bitter Lemon (Kn 25 cada garrafa). Demorou para chegar. Tive que perguntar o que tinha acontecido. Depois desta reclamação, os sanduíches chegaram rapidinho à nossa mesa. Eram de bom tamanho, mas não tinham lá um bom visual. O meu veio servido em um pão tipo bagel, mas sem aquele furo no meio, levemente achatado na chapa, como fazem com um panini. Dentro uma folha de alface, dois pequenos pedaços de peito de frango, queijo branco e uma rodela grande de tomate. Era muito seco. Nem o tomate ajudou para molhar um pouco o recheio. Tive que usar ketchup. Era pouco temperado, mais propício para quem curte um lanche mais natureba. A fome era grande, pois já passavam das 15:30 horas. Comi satisfatoriamente, mas acredito que comeria melhor se escolhesse algum lugar dentro da cidade antiga.
Restaurante: Forteca
Endereço: Ul. Između vrta 2, Dubrovnik, Croácia.
Telefone: +385 98 926 2835
Data: 01/05/2017, segunda-feira, almoço.
Valor total da conta: Kn 135, para duas pessoas, sem gorjeta. Pagamento em dinheiro.
Minha nota: 5.

quinta-feira, 13 de julho de 2017

BISTRO DOLAC

A experiência: com raras excessões, sempre temos dificuldades em achar algum lugar aberto para comer algo coisa tarde da noite em um domingo. Em Zagreb não foi diferente. Decidimos comer um prato mais leve perto de meia noite. Consultamos a internet para ver o que estava aberto nas proximidades do hotel, pois não queríamos ir longe. Todos os restaurantes e lanchonetes que achamos ou não funcionavam nas noites de domingo ou já estavam de portas cerradas. Pensamos em comer no hotel, mas nem room service, nem restaurante atendiam àquela hora. Lembramos de nossa caminhada no primeiro dia em Zabreg, quando vimos uma placa de 24 horas na Praça Dolac. Ficava cerca de 300 metros do hotel. Bem agasalhados, saímos em direção à praça. Já na rua, vimos a placa e luzes acesas no segundo piso de um edifício que fica à esquerda da escada que dá acesso à praça, famosa pelo mercado diário que toma conta de cada pedaço de seu espaço todos os dias. Subimos a escada, viramos à esquerda e já estávamos na porta do Bistro Dolac, que realmente funciona 24 horas por dia. Como está em zona hiper turística, com muitos albergues por perto, o bistrô oferece desde café da manhã até lanches tardios. Os atendentes, duas atrás do balcão e um garçom, não estavam com cara de bons amigos. Resolvemos ficar do lado de dentro, onde uma televisão passava uma reprise de um jogo de futebol qualquer. Ali, somente mais duas mesas estavam ocupadas. No lado de fora, mesas ao longo de um corredor não eram convidativas, por causa do vento frio. Queríamos um lanche, algo rápido. Fomos até a vitrine para ver o que tinha, mas não tivemos muita sorte, pois não tínhamos noção do que havia ali e nenhum dos empregados dominava bem o inglês. Reconhecemos as pizzas, mas além de não estarem vistosas, não era essa a nossa vontade. Pedimos o cardápio, na esperança de ter em inglês e estava escrito nas duas línguas: croata e inglês. Escolhemos o mesmo lanche, ou seja, um roll pizza, que era uma mistura de panqueca com kebab (kn 17 cada um). Para beber, também pedimos o mesmo, uma garrafa de 500 ml de Swcheppes Tangerine, que nós mesmos pegamos na geladeira que ficava ao lado da entrada. O garçom anotou o pedido, foi até o balcão, entregou para uma balconista, que retirou os dois rolls da vitrine, colocou no microondas, para, em seguida, voltar com os dois pratos para o balcão. Como um robô, o garçom pegou os pratos, levando-os até nossa mesa. Era aquilo ou era ficar com fome. Comi sem muita expectativa e realmente não tinha muito sabor. Confesso que o recheio tinha um creme branco, tomate e carne de boi, mas sem nenhum sabor. E a massa estava muito tostada nas pontas. Foi uma decepção nossa última refeição na capital croata.
Restaurante: Bistro Dolac
Endereço: Doalc, 1, Zagreb, Croácia.
Data: 30/04/2017, domingo, jantar.
Valor total da conta: Kn 70, para duas pessoas, sendo Kn 4 de gorjeta (demos gorjeta somente para não esperar troco, pois fazia muito frio e tínhamos sono).
Minha nota: 2.

GOOD FOOD - SLASTICARNICA ZAGREB

A experiência: quando estamos viajando, aproveitamos ao máximo o dia, especialmente em longas caminhadas sem rumo. Domingo, dia 30 de abril, foi assim em Zagreb. O céu estava lindo, embora o vento frio ainda insistia em aparecer. Primavera fria croata. A fome deu sinal de vida quando estávamos passeando na Cidade Alta, mas não encontramos nenhum restaurante aberto por aqueles lados. Vimos dois ou três bares e uma pequena mercearia. Nada que nos chamou a atenção. Resolvemos voltar para a área próxima ao nosso hotel. Já eram quase 16:30 horas quando resolvemos parar em uma hamburgueria com nome em inglês: Good Food. Ambiente com decoração moderna, cardápios em croata e em inglês, sem garçons. Você escolhe no balcão, faz o pedido e espera ser chamado. Embora seja uma hamburgueria, há opções de saladas e tortillas, além de sobremesas. O salão é pequeno, com mesas altas, o que provoca às pessoas sentar, comer e ir embora, pois torna-se incômodo para qualquer pessoa se ficar sentado naquelas cadeiras altas por muito tempo. Sucos em pequenas garrafas de plástico (250 ml) nos chamaram a atenção. Nós dois escolhemos o mesmo sabor: squeezed grapefruit, ou seja suco de toranja espremida (ou pomelo, como dizem os de língua espanhola). A elaboração do suco é da própria hamburgueria. Cada garrafinha custou Kn 15. Na boca me decepcionou um pouco, pois esperava aquele sabor amargo, bem marcante da toranja. Para comer, meu companheiro escolheu uma espécie de degustação dos três sanduíches de maior saída do local, o 3 Color Burgers (Kn 42). Três mini hambúrgueres que são servidos em uma charmosa tábua de madeira. Os hambúrgueres, todos vendidos individualmente em tamanho normal, foram o White GF***, o Red-Green Hot Chilly Peppers, e o Black Italian Job. Eu fui de um mais tradicional no paladar, escolhendo o King of BBB (Kn 39). Também servido em uma tábua de madeira, seu recheio tinha um hambúrguer de 200 gramas, queijo cheddar, tomate cortado em rodelas, alface (a parte mais crocante), bacon crispy, maionese, picles e molho barbacoa. Muito semelhante a um sanduba vendido no Burger King. O tomate, para variar, fez uma lambança na mesa e sujou minha roupa. O pão era bem macio, mas não cumpriu a função essencial de segurar o portentoso recheio. A mistura de maionese, picles e molho barbacoa foi excessiva. Pelo menos a carne estava bem temperada e gostosa. Acho que meu companheiro se deu melhor. Os mini sanduíches eram mais fáceis de se levar à boca, eram bonitos de se ver e ele aprovou os recheios, sem fazer nenhuma lambança. Fica a dica!
Restaurante: Good Food
Endereço: Nicole Tesle, 7, Zagreb, Croácia.
Data: 30/04/2017, domingo, almoço.
Valor total da conta: Kn 111, para duas pessoas, sem gorjeta. Conta paga com dinheiro.
Minha nota: 6.

Resolvemos fazer como os croatas, saindo dali para comer a sobremesa e tomar um café em outro local. Mas antes fizemos mais uma longa caminhada, conhecendo algumas das praças bem cuidadas da cidade. Paramos em uma movimentada sorveteria, tradicional em Zagreb. Há mesas no interior, no piso superior, ou na calçada em frente, onde ficamos, com um providencial aquecedor de ambiente por perto. Para pedir o sorvete, fomos até o balcão, escolhemos os sabores, e fomos para a mesa, pois um garçom nos levaria os dois pedidos. O tamanho menor custa Kn 16 com direito a escolher até dois sabores. Eu pedi avelã e laranja, enquanto meu companheiro escolheu chocolate e pistache. Em Zagreb se fuma em qualquer lugar. Assim, nas mesas do deque da calçada o que mais tinha era gente fumando. Um garçom mal humorado nos trouxe os sorvetes, quando pedi um espresso (Kn 18) e uma garrafa de Coca Cola Zero de 250 ml (Kn 15). O meu sorvete estava muito bom, especialmente o de laranja, com a acidez característica se destacado no paladar, sem incomodar, sem ser agressivo. Meu companheiro não gostou do sabor pistache, dizendo que lhe faltava algo. Depois de algum tempo, chegou o café, junto com o refrigerante. Chegou frio e muito forte. Lição tirada: café não se pede quando estamos em um local muito frio e nos sentamos no lado externo. A probabilidade de chegar frio é perto de 100%.
Restaurante: Slastičarnica Zagreb
Endereço: Masarykova, 4, Zagreb, Croácia.
Data: 30/04/2017, domingo, início de noite.
Valor total da conta: Kn 65, para duas pessoas, sem gorjeta, pois achamos o serviço muito ruim. Conta paga com dinheiro.
Minha nota: 6.

terça-feira, 11 de julho de 2017

POD ZIDOM BISTRO & WINE BAR

A experiência: sábado foi um dia de muita caminhada por Zagreb. Cansados, mas animados para um jantar em local agradável. Sem indicações, consultei o Trip Advisor, aplicativo que não confio muito, mas que ajuda nestas horas que você está sem rumo. Li muitas resenhas de restaurantes que ficavam próximos ao Hotel Dubrovnik, onde estávamos hospedados. Decidimos ir ao Pod Zidom, autodenominado bistro & wine bar. Era bem perto do hotel, cerca de 500 metros. Fomos à pé, sem reserva. Na calçada, há um deque, mas a noite estava bem fria para ficarmos naquelas mesas externas. Entramos e pedimos uma mesa para dois. Já passavam das 21:30 horas. O atendente disse que só havia uma mesa disponível, quando nos mostrou uma próxima da parede de vidro que dá para a rua, mas as cadeiras eram daquelas altas, que o pé da gente fica flanando no ar. Recusamos e, por passe de mágica, apareceu uma mesa bem mais cômoda, na outra parte do pequeno salão em formado de um ele (L). Ao nosso lado, uma mesa cheia de jovens comemorava um aniversário e em nossa frente, um banquinho e uma guitarra, ou seja, música ao vivo! O cantor desfilou, enquanto lá ficamos, um repertório de sucessos internacionais, todos em língua inglesa. Não sou fã de música ao vivo em restaurante e aquilo já me baixou as expectativas. Logo nos mostraram o cardápio, em inglês, porque de croata não entendo uma palavra sequer. Como todo bistrô que se preze, o menu era bem enxuto, tanto o de comidas quanto o de bebidas. Estava vigendo o Spring Menu, ou seja, o menu de primavera, com opções de sopa (sopa de aspargos), entradas (quatro opções), tapas (uma única opção, uma espécie de tábua com uma seleção feita pelo chef da casa), um risoto da estação, oito pratos principais, e quatro sobremesas. Os vinhos disponíveis eram apenas de produção croata. Pedimos indicação para a sommelier, que nos propôs um pinot noir. Na noite anterior, tínhamos provado e aprovado um pinot croata, motivo pelo qual acatamos esta sugestão. Bebemos uma excelente garrafa de Korak Pinot Crni, safra 2015, com 13% de álcool (Kn 265). É claro que não entendemos nada do que estava escrito na garrafa. Para acompanhar, bebemos água mineral com gás, garrafa de 750 ml  (Kn 24), da marca croata Jamnica, que tem um gás equilibrado e é gostosa no paladar. Como entrada, nós dois dividimos polvo (Kn 68), que veio em bonita apresentação, cortado em cilindros, acompanhado por chips de alho poró, creme de azeitonas pretas e redução de vinho tinto da casa. A carne do polvo não estava no ponto exato, mas também não chegava a ser borrachuda. Estava com tempero bem suave e se notava que era bem fresco. A redução do vinho foi essencial para a harmonização com o pinot que estávamos bebendo. Em seguida, chegaram os pratos principais. Para meu companheiro, carne de porco (Kn 96) em duas apresentações: filé e croquete, acompanhado por aspargos, cebola e dips de queijo cottage. Já eu escolhi o peito de pato (Kn 122). Servido em fatias, mais cozidas do que devem ser, o que deixou a carne dura. Trocaram o pão descrito na carta por uma cama de purê de batatas, que estava bem cremoso. Completou o prato uma salada de acelga, couve mizuna e funcho, nada com muito sabor. Achei esta salada dispensável. Destaco a parte bem crocante da carne de pato, que veio por cima de cada pedaço do peito. Era bem temperada e deu uma elevada no sabor de todo o conjunto. O vinho surpreendeu-me, pois não fez feio ao harmonizar com o pato. Decidimos experimentar a sobremesa indicada pelo garçom, a lava café (Kn 36), nada mais, nada menos, que o onipresente petit gateau. Sem comentários. Era hora de pagar a conta. Já passava da meia noite, o local já estava ficando vazio, o parabéns da mesa ao lado já havia sido entoado (é muito estranho ouvi um parabéns em língua que você não domina) e até o cantor já tinha cantado dois sucessos da música pop croata.
Restaurante: Pod Zidom Bistro & Wine Bar
Endereço: Pod Zidom, 5 , Zagreb, Croácia.
Telefone: +385 99 325 3600
Data: 29/04/2017, sábado, jantar.
Valor total da conta: Kn 620, para duas pessoas, incluindo gorjeta. Conta paga com dinheiro.
Minha nota: 5.

terça-feira, 4 de julho de 2017

PECENJARA IVO

A experiência: sábado frio com chuva fraca. Foi assim nosso primeiro dia inteiro em Zagreb. Depois de muito bater perna, especialmente pelos principais pontos de interesse da capital da Croácia, era hora de procurar um local para comer. Na verdade, passava, e muito, da hora, pois ao consultar o relógio, percebemos que a tarde já ia longe: eram 16 horas. A ideia era comer algo típico, mas não tínhamos nenhuma indicação no local onde estávamos. Andamos para baixo e para cima em uma rua repleta de bares e pubs, mas nada nos chamava a atenção. Eram locais mais propícios para um esquenta pré balada. Enfim, encontramos um pequeno restaurante, cujas poucas mesas ficavam na calçada. Seu nome: Pecenjara Ivo. Pecenjara pode ser traduzido como "churrascaria". O vento estava muito frio, mas a fome falava mais alto. Sentamos em uma mesa mais protegida do vento que vinha encanado do cruzamento de duas ruas de pedestres. O garçom estava com cara de poucos amigos, sem se esforçar em nos atender. Ele colocou os cardápios em cima da mesa e se foi. Ainda bem que estavam em inglês e tinha fotos dos pratos. Poucas opções, todas elas baratas e com uma pegada fast-food. Alguns pratos passavam por nós e ficamos curiosos, mas não havia como o garçom chegar perto para nos dar informações. Se não tivesse andando tanto e a fome não fosse tão forte, teria levantado e saído dali. Como estava com algumas anotações sobre a gastronomia croata, via que o restaurante tinha o cevapcici, um prato muito consumido na Croácia, herança de quando os turcos dominaram toda a região. Pedimos dois deles: cevapcici u lepinji (30 kunas cada um). Não demorou a chegar, pois os ingredientes já estão prontos, bastando um tempo na grelha. No prato um pão pita grande, quentinho, aberto e recheado com muitos bolinhos de carne moída, como se fossem kaftas. No caso, eram feitas de carne bovina, bem temperadas, mas com um pouco de gordura. O acompanhamento era apenas cebola crua picada de forma rústica, sem padrão no formato. O melhor do prato era o pão. Deu vontade de pedir outro. A cebola cumpriu a função de dar crocância ao conjunto, mas não acrescentava muito em sabor. Enfim, matou nossa fome. Para beber, uma garrafa de 250 ml, padrão na Croácia, de Coca Cola Zero (20 kunas). Como o serviço foi horrível, não exitamos nenhum segundo em não deixar gorjeta ao pagar a conta.
Restaurante: Pecenjara Ivo
Endereço: Tkalciceva 2, Gornij Grad - Medvescak, Zagreb, Croácia.
Telefone: +385 (0) 1 4816 295
Data: 29/04/2017, sábado, almoço.
Valor total da conta: Kn 100, para duas pessoas, sem gorjeta.
Minha nota: 4.

segunda-feira, 3 de julho de 2017

3ª REUNIÃO - CONFRARIA BEAGÁ

Com nova grafia no nome, a Confraria Beagá conseguiu chegar à sua terceira reunião, realizada em 19 de maio de 2017, no apartamento de Leo e Gastón. Desta feita, com apenas cinco confrades: Leo, Emi, Rogério, Marcelo e Luís Fernando, pois Sônia não pode comparecer. Mais uma rodada de papo, risadas, degustação de vinhos e ótima comida. Eis os vinhos da noite:


Vinho 1: Tapada de Coelheiros

Safra 2009, com 14,5% de gradação alcoólica, elaborado com 50% de uvas cabernet sauvignon, 30% trincadeira e 20% aragonez pela Herdade dos Coelheiros, na região do Alentejo, Portugal (Vinho Regional Alentejano). Ficou em decanter por 45 minutos antes de ser servido. Na taça, revelou uma cor rubi, enquanto que no nariz, os confrades sentiram frutas negras, azeitonas, pimentão verde e especiarias. Na boca, taninos presentes, delicados, harmônicos, redondos, revelando-se um vinho elegante. Ainda na boca, o vinho lembrou os vinhos produzidos na França. É importado para o Brasil pela Mistral, custando R$ 338,21. Sua colheita é feita de forma manual. É não filtrado e estagia 12 meses em barricas de carvalho francês e mais 12 meses em garrafa antes de chegar ao mercado. Tem potencial de guarda para mais ou menos dez anos. Harmoniza bem com carnes assadas, queijos de pasta mole ou meia cura, carnes de caça ou risotos. Foi o campeão da noite, sendo o preferido por Marcelo, Luís Fernando e Leo.

Vinho 2: Quinta do Carmo Reserva

Safra 2011, com 14,5% de gradação alcoólica, elaborado com 50% de uvas aragonez, 20% cabernet sauvignon, 20% syrah e 10% trincadeira, pela Sociedade Agrícola Quinta do Carmo, na região do Alentejo, Portugal. Ficou em decanter por 60 minutos antes de ser servido. Cada casta é vinificada separadamente em tanques de inox. Este vinho somente é produzido em anos de safras excepcionais. Na taça, revelou uma cor rubi fechado, com reflexos púrpura. No nariz, os confrades sentiram compota de frutas vermelhas e geleia de mirtilo. Na boca, frutas em compota, com taninos presentes, ervas, um pouco adstringente, acidez bem acentuada. É importado para o Brasil pela Mistral, custando R$ 271,65. Estagia 12 meses em barricas de carvalho francês novas. Seu potencial de guarda é para mais de dez anos. Harmoniza com carnes de boi e de cordeiro.

Vinho 3: Mouchão

Safra 2011, com 14% de álcool, elaborado com as uvas alicante bouschet e trincadeira, por Herdade do Mouchão, na região do Alentejo, Portugal. Ficou decantando por 70 minutos. Cor rubi bem fechado. No nariz, sentimos geleia de frutas, terra molhada e menta. Na boca, revelou-se adstringente, com acidez e taninos presentes, menta, com forte amargor ao final. Estagia 24 meses em barricas de carvalho, macaúba e mogno, todas de origem portuguesa, além de 24 a 36 meses em garrafas antes de ir para o mercado. É importado para o Brasil pela Adega Alentejana, custando R$ 270,10. Tem potencial de guarda para mais de dez anos. Foi o preferido da noite por Emi e Rogério.

Terminada a degustação, teve início o jantar, composto de quatro etapas. Durante o jantar, tomamos o vinho português Adega de Borba Reserva, produzido na região do Alentejo, Portugal, pela Adega Cooperativa de Borba, safra 2013, elaborado com as uvas aragonez, trincadeira, castelão e alicante bouschet, tendo 13,5% de álcool. Custou R$ 94,80 na Super Adega. Eis nosso jantar, preparado pelo argentino Chef Gastón Almada:


Amuse bouche: bolinho cremoso de bacalhau em cama de maionese de azeitonas pretas.
Entrada: bacalhau cozido sobre pasta de pimentão vermelho defumado, com gotas de maionese de azeitonas pretas como acompanhamento.
Principal: papardelle salteado em alho e salsinha, com ragu de pato.
Sobremesa: pavlova com frutas frescas, recheada com creme de confeiteiro, e acompanhado por redução de ginjinha, o famoso licor português.

quinta-feira, 18 de maio de 2017

ZINFANDEL'S

A experiência: era nossa primeira noite em Zagreb, capital da Croácia, justamente no dia 28 de abril de 2017, quando completamos dois anos de relacionamento. Já havia previsto um jantar comemorativo, reservando uma mesa no restaurante número 1 do país, o Zinfandel's, que fica no luxuoso Esplanade Zagreb Hotel. A cozinha do restaurante está sob a responsabilidade da premiada chef Ana Grgic. Fiz a reserva por antecedência e perguntei sobre a existência de algum dress code, via e-mail, com um mês de antecedência. A resposta, confirmando nossa mesa, veio em menos de 24 horas, ressaltando que não exigiam vestimentas determinadas para frequentar o local. Chegamos em Zagreb depois de 28 horas que saímos de casa. Era final de tarde, o cansaço gritava em nosso corpo, mas não nos entregamos. Check in feito no hotel, malas no quarto, um bom banho, relaxados, saímos para conhecer as proximidades. Fazia frio. O termômetro indicava 13º C. Ficamos na rua até perto de 19 horas. Voltamos ao hotel para trocar de roupa e nos preparar para o jantar. O restaurante ficava distante 900 metros de onde estávamos, em uma linha reta, sem subidas ou descidas. Decidimos ir caminhando. Chegamos no horário marcado, às 20:30 horas. O Esplanade é um hotel grande, luxuoso, antigo, com um ar aristocrata decadente, mas que não perde a pose. Na porta, o mensageiro nos indicou a direção do Zinfandel's, que fica à esquerda de quem entra, tendo que passar por um suntuoso bar. Na recepção, via-se o movimento do primeiro salão, com um grupo enorme de asiáticos ruidosos em uma grande mesa. Fomos atendidos por um elegante senhor, que checou nossa reserva e nos conduziu para um salão mais reservado, tranquilo, com uma bela adega decorando a parede dos fundos. Luz baixa, ambiente tranquilo. Três outras mesas estavam ocupadas neste ambiente. Recebemos a carta de vinhos e o menu. A noite e o momento pediam um bom vinho. A carta é dominada por vinhos locais. Sem conhecer muito, escolhi às cegas o vinho tinto croata Krauthaker, elaborado com a casta crni pinot (pinot noir), com 13,5% de álcool, safra 2013, cuja garrafa custou 265 kunas (kn). Para acompanhar o vinho e manter a hidratação, pedimos uma garrafa de água mineral com gás de 750 ml Jamnica (26 kn), água que domina o consumo na Croácia. É suave, com gás sem agredir o paladar. O sommelier era totalmente vintage, abrindo o vinho e usando um taste vin de prata, devidamente pendurado em seu pescoço, para experimentar o primeiro gole antes de eu experimentar. Assim que disse que podia servir as duas taças, ele o fez e colocou a garrafa em um aparador de mesa para deixá-la levemente inclinada. No primeiro gole, já gostei do vinho, que evoluiu muito ao longo do jantar, na medida em que ia respirando. O cardápio tem uma boa variedade de entradas, pratos principais e sobremesas, mas o que nos chamou a atenção foram os menus completos, com quatro, cinco e seis passos. Não há exigência de todos da mesa escolherem o mesmo menu, mas nós o fizemos. Ficamos com o menu de cinco passos, ao custo de 725 kn  por pessoa, algo em torno de € 97. No entanto, eu não como espinafre e um dos passos era um dumpling recheado com ricota, acompanhado por um creme desta verdura, perguntei se poderia trocar este prato, recebendo resposta positiva. E mais, poderia escolher qualquer outro prato listado nos outros dois menus. Assim, troquei o dumpling por um consommé de cogumelos selvagens. Antes, porém, o garçom deixou na mesa uma cesta de pães, com manteigas saborizadas. Não era cortesia, e sim custou 25 kn por pessoa. A chef enviou um mimo, este sim, uma cortesia, antes de iniciar o menu propriamente dito. Eis o que degustamos naquela memorável noite:
1. Amuse bouche: atum levemente selado em leito de creme de abacate, salpicado com sementes de gergelim preto, folhas de amaranto e um crocante que lembrava um couscous. Prato delicado e delicioso, preparando nosso paladar para o que viria em seguida. Levantou nossas expectativas.
2. Foie gras, terrine de vinho do Porto, esponja de amêndoas e pó de framboesa. Visual lindo deste prato. O foie gras foi servido em forma circular, que na verdade era uma pasta de foie, com framboesas frescas compondo a decoração. A terrine de vinho do Porto era uma gelatina. A doçura desta gelatina, junto com o ácido da fruta, foi essencial para cortar a gordura do foie gras no paladar. A esponja de amêndoas era insossa e sem muito sentido para o conjunto do prato.
3. Lagostim cozido na água (pochê), servido sobre creme de açafrão e molho de laranja. Ao lado, purê de couve-flor, com pedacinhos de picles deste vegetal. A estrela do prato, o lagostim, não brilhou, pois o purê de couve-flor, com o crocante do picles, superou muito o sabor delicado demais do crustáceo. O molho de laranja levantou um pouco o sabor do lagostim, mas se ele fosse assado ou frito, o prato teria mais explosão no paladar. O que menos gostei dos pratos salgados.
4. Consommé de cogumelos selvagens com uma barra de funghi porcini seco em forma de gelatina nele mergulhado. Prato com delicioso aroma, bela apresentação, sabor delicado, com tempero leve e suave. Gostei muito.
4. Dumplings cozidos no vapor recheados com ricota, acompanhados por um creme de espinafre, ovo pochê e creme de pinhole. Este foi o prato que troquei, sendo experimentado apenas por meu companheiro, que o achou meio sem graça. O ovo visivelmente tinha a gema mais cozida do que pede um ovo pochê.
5. Bochecha de porco, geleia de funghi porcini e batata assada revestida com pó de cogumelos. Prato forte, robusto, com tempero sensacional. A carne estava desmanchando na boca. A geleia de cogumelos era delicada, com sabor em tempero exato para ser a acompanhante da carne. Bochecha de porco segue sendo um dos meus cortes de carne favoritos. O melhor prato da noite, sem sombra de dúvidas.
6. Mousse de morango, crunch de chocolate, crocante de amêndoas e amaretto. Para começar, não sou apreciador de morango, mas achei que seria demais pedir para trocar dois pratos deste menu. Resolvi comer e não me conquistou, embora reconheça que tinha lá um bom sabor e uma boa harmonização entre os seus ingredientes.
O senão ficou por conta da discrepância de tempo entre um prato e outro. Enquanto entre o amuse bouche e a entrada foi de dez minutos, entre o consommé e a bochecha de porco demorou quase meia hora.
Restaurante: Zinfandel's
Endereço: Mihanoviceva 1, Esplanade Zagreb Hotel, Zagreb, Croácia.
Telefone: +385 (0) 1 4566 644
Web: http://www.zinfandels.hr/
Data: 28/04/2017, sexta-feira, jantar.
Valor total da conta: Kn 1.941, para duas pessoas, sendo Kn 1.791 (€ 242,10) e Kn 150 (em dinheiro) de gorjeta. Conta paga com Visa Travel Money.
Minha nota: 8 para toda a experiência, ressaltando que se for avaliar apenas a bochecha de porco, a nota é 10.