quinta-feira, 18 de maio de 2017

ZINFANDEL'S

A experiência: era nossa primeira noite em Zagreb, capital da Croácia, justamente no dia 28 de abril de 2017, quando completamos dois anos de relacionamento. Já havia previsto um jantar comemorativo, reservando uma mesa no restaurante número 1 do país, o Zinfandel's, que fica no luxuoso Esplanade Zagreb Hotel. A cozinha do restaurante está sob a responsabilidade da premiada chef Ana Grgic. Fiz a reserva por antecedência e perguntei sobre a existência de algum dress code, via e-mail, com um mês de antecedência. A resposta, confirmando nossa mesa, veio em menos de 24 horas, ressaltando que não exigiam vestimentas determinadas para frequentar o local. Chegamos em Zagreb depois de 28 horas que saímos de casa. Era final de tarde, o cansaço gritava em nosso corpo, mas não nos entregamos. Check in feito no hotel, malas no quarto, um bom banho, relaxados, saímos para conhecer as proximidades. Fazia frio. O termômetro indicava 13º C. Ficamos na rua até perto de 19 horas. Voltamos ao hotel para trocar de roupa e nos preparar para o jantar. O restaurante ficava distante 900 metros de onde estávamos, em uma linha reta, sem subidas ou descidas. Decidimos ir caminhando. Chegamos no horário marcado, às 20:30 horas. O Esplanade é um hotel grande, luxuoso, antigo, com um ar aristocrata decadente, mas que não perde a pose. Na porta, o mensageiro nos indicou a direção do Zinfandel's, que fica à esquerda de quem entra, tendo que passar por um suntuoso bar. Na recepção, via-se o movimento do primeiro salão, com um grupo enorme de asiáticos ruidosos em uma grande mesa. Fomos atendidos por um elegante senhor, que checou nossa reserva e nos conduziu para um salão mais reservado, tranquilo, com uma bela adega decorando a parede dos fundos. Luz baixa, ambiente tranquilo. Três outras mesas estavam ocupadas neste ambiente. Recebemos a carta de vinhos e o menu. A noite e o momento pediam um bom vinho. A carta é dominada por vinhos locais. Sem conhecer muito, escolhi às cegas o vinho tinto croata Krauthaker, elaborado com a casta crni pinot (pinot noir), com 13,5% de álcool, safra 2013, cuja garrafa custou 265 kunas (kn). Para acompanhar o vinho e manter a hidratação, pedimos uma garrafa de água mineral com gás de 750 ml Jamnica (26 kn), água que domina o consumo na Croácia. É suave, com gás sem agredir o paladar. O sommelier era totalmente vintage, abrindo o vinho e usando um taste vin de prata, devidamente pendurado em seu pescoço, para experimentar o primeiro gole antes de eu experimentar. Assim que disse que podia servir as duas taças, ele o fez e colocou a garrafa em um aparador de mesa para deixá-la levemente inclinada. No primeiro gole, já gostei do vinho, que evoluiu muito ao longo do jantar, na medida em que ia respirando. O cardápio tem uma boa variedade de entradas, pratos principais e sobremesas, mas o que nos chamou a atenção foram os menus completos, com quatro, cinco e seis passos. Não há exigência de todos da mesa escolherem o mesmo menu, mas nós o fizemos. Ficamos com o menu de cinco passos, ao custo de 725 kn  por pessoa, algo em torno de € 97. No entanto, eu não como espinafre e um dos passos era um dumpling recheado com ricota, acompanhado por um creme desta verdura, perguntei se poderia trocar este prato, recebendo resposta positiva. E mais, poderia escolher qualquer outro prato listado nos outros dois menus. Assim, troquei o dumpling por um consommé de cogumelos selvagens. Antes, porém, o garçom deixou na mesa uma cesta de pães, com manteigas saborizadas. Não era cortesia, e sim custou 25 kn por pessoa. A chef enviou um mimo, este sim, uma cortesia, antes de iniciar o menu propriamente dito. Eis o que degustamos naquela memorável noite:
1. Amuse bouche: atum levemente selado em leito de creme de abacate, salpicado com sementes de gergelim preto, folhas de amaranto e um crocante que lembrava um couscous. Prato delicado e delicioso, preparando nosso paladar para o que viria em seguida. Levantou nossas expectativas.
2. Foie gras, terrine de vinho do Porto, esponja de amêndoas e pó de framboesa. Visual lindo deste prato. O foie gras foi servido em forma circular, que na verdade era uma pasta de foie, com framboesas frescas compondo a decoração. A terrine de vinho do Porto era uma gelatina. A doçura desta gelatina, junto com o ácido da fruta, foi essencial para cortar a gordura do foie gras no paladar. A esponja de amêndoas era insossa e sem muito sentido para o conjunto do prato.
3. Lagostim cozido na água (pochê), servido sobre creme de açafrão e molho de laranja. Ao lado, purê de couve-flor, com pedacinhos de picles deste vegetal. A estrela do prato, o lagostim, não brilhou, pois o purê de couve-flor, com o crocante do picles, superou muito o sabor delicado demais do crustáceo. O molho de laranja levantou um pouco o sabor do lagostim, mas se ele fosse assado ou frito, o prato teria mais explosão no paladar. O que menos gostei dos pratos salgados.
4. Consommé de cogumelos selvagens com uma barra de funghi porcini seco em forma de gelatina nele mergulhado. Prato com delicioso aroma, bela apresentação, sabor delicado, com tempero leve e suave. Gostei muito.
4. Dumplings cozidos no vapor recheados com ricota, acompanhados por um creme de espinafre, ovo pochê e creme de pinhole. Este foi o prato que troquei, sendo experimentado apenas por meu companheiro, que o achou meio sem graça. O ovo visivelmente tinha a gema mais cozida do que pede um ovo pochê.
5. Bochecha de porco, geleia de funghi porcini e batata assada revestida com pó de cogumelos. Prato forte, robusto, com tempero sensacional. A carne estava desmanchando na boca. A geleia de cogumelos era delicada, com sabor em tempero exato para ser a acompanhante da carne. Bochecha de porco segue sendo um dos meus cortes de carne favoritos. O melhor prato da noite, sem sombra de dúvidas.
6. Mousse de morango, crunch de chocolate, crocante de amêndoas e amaretto. Para começar, não sou apreciador de morango, mas achei que seria demais pedir para trocar dois pratos deste menu. Resolvi comer e não me conquistou, embora reconheça que tinha lá um bom sabor e uma boa harmonização entre os seus ingredientes.
O senão ficou por conta da discrepância de tempo entre um prato e outro. Enquanto entre o amuse bouche e a entrada foi de dez minutos, entre o consommé e a bochecha de porco demorou quase meia hora.
Restaurante: Zinfandel's
Endereço: Mihanoviceva 1, Esplanade Zagreb Hotel, Zagreb, Croácia.
Telefone: +385 (0) 1 4566 644
Web: http://www.zinfandels.hr/
Data: 28/04/2017, sexta-feira, jantar.
Valor total da conta: Kn 1.941, para duas pessoas, sendo Kn 1.791 (€ 242,10) e Kn 150 (em dinheiro) de gorjeta. Conta paga com Visa Travel Money.
Minha nota: 8 para toda a experiência, ressaltando que se for avaliar apenas a bochecha de porco, a nota é 10.

quarta-feira, 17 de maio de 2017

2ª REUNIÃO - CONFRARIA BH

Chegou o momento da Confraria BH se reunir pela segunda vez. Desta feita, com seis confrades: Leo, Emi, Rogério, Marcelo, Luís Fernando e Sônia. Mais uma rodada de papo, risadas, degustação de vinhos, e comida. Eis os vinhos da noite:

Vinho 1: Pintia
Safra 2011, com 15% de gradação alcoólica, elaborado com 100% de uvas tempranillo pela Bodegas Y Viñedos Pintia, uma empresa do grupo Tempos Vega Sicilia, na região de Toro, Espanha (Denominación de Origen Toro). Ficou em decanter por 45 minutos antes de ser servido. Colheita manual. Desta safra, foram produzidas 188.976 garrafas de 750 ml, todas elas numeradas. Nossa garrafa tinha o número 037313. Ainda engarrafaram 4.413 garrafas magnum, 302 doble magnum e 20 imperiais. Na taça, revelou uma cor rubi, com a unha já evoluindo para granada. No nariz, os confrades sentiram madeira, pimenta do reino, compota de ameixa, caramelo, açúcar queimado. Na boca, taninos presentes, mas sem agredir o paladar, suave, adstringente, com boa estrutura, fácil de beber. É importado para o Brasil pela Mistral e pela Gran Cru, custando R$ 250,00. Estagia de 12 a 18 meses em barricas de carvalho francês, podendo chegar até a 24 meses. Foi o preferido da noite por Emi, Luís Fernando, Sônia e Rogério.

Vinho 2: Pintia
Safra 2012, com 15% de gradação alcoólica, elaborado com 100% de uvas tempranillo pela Bodegas Y Viñedos Pintia, uma empresa do grupo Tempos Vega Sicilia, na região de Toro, Espanha (Denominación de Origen Toro). Ficou em decanter por uma hora antes de ser servido. Colheita manual. Desta safra, foram produzidas 159.759 garrafas de 750 ml, todas elas numeradas. Nossa garrafa tinha o número 016802. Ainda engarrafaram 4.500 garrafas magnum, 400 doble magnum e 30 imperiais. Na taça, revelou uma cor rubi vibrante, a chamada rubi-rubi. No nariz, os confrades sentiram licor de cassis, groselha, cereja em compota, chocolate. Na boca, taninos presentes, mas sem agredir o paladar, mais suave do que o anterior, elegante. É importado para o Brasil pela Mistral e pela Gran Cru, custando R$ 290,00. Estagia de 12 a 18 meses em barricas de carvalho francês, podendo chegar até a 24 meses. Foi o preferido da noite por Marcelo e Leonardo.
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Vinho 3: Protos Reserva
Safra 2011, com 15% de álcool, elaborado com 100% de uvas tempranillo (também chamada de tinta del pais), por Protos Bodega, na região de Ribera Del Duero, Espanha (Denominación de Origen), com vinhedos de mais de 50 anos. Ficou decantando por uma hora e vinte e cinco minutos. Cor rubi bem fechado. No nariz, sentimos couro, ameixa preta, compota de frutas, baunilha, ferro, terra molhada, argila. Na boca, revelou-se carnudo, com boa estrutura, destacando o gosto de madeira e um leve salgado no retrogosto. Estagia, no mínimo, de 18 meses em barricas de carvalho, sendo 20% de origem francesa e 80% americana, com mais de 18 meses em garrafa antes de ir para o mercado. Custou R$ 150,00, valor convertido de euros, uma vez que o cunhado de Emi o trouxe da Espanha.

Terminada a degustação, teve início o jantar, composto de cinco passos. Durante o jantar, tomamos o vinho espanhol Numanthia, produzido na região de Toro, safra 2012, elaborado com 100% de uvas tempranillo, tendo 15% de álcool. Custou R$ 190,00. Também tomamos o vinho espanhol Lindes de Remelluri, safra 2009, produzido na região de Rioja, com 13,5% de álcool, 100% tempranillo. Custou R$ 95,24 na Mistral. Eis nosso jantar, preparado pelo argentino Chef Gastón Almada:

Abre boca: pão, azeite, pernil e molho bravo (pimentão picante).
Entrada: salmorejo (uma espécie de sopa fria feita com tomate, pão, azeite, alho), servido como ovo de codorna, crocante de presunto de parma e salsinha.
Principal 1: peixe frito, vinagrete de cebola e alioli.
Principal 2: creme de batata, ovo mole, aspargos verdes e presunto de parma.
Sobremesa: torta de Santiago de Compostela (feita à base de farinha de amêndoas).

terça-feira, 28 de março de 2017

BANZAI LOUNGE

A experiência: em nosso último jantar em Vitória, decidimos por restaurante de comida japonesa que tivesse rodízio. Fomos ao Banzai Lounge, que fica na Praia do Canto, perto do conhecido Triângulo das Bermudas. Chegamos perto de 21:30 horas, quando esperávamos um grande movimento, mas o restaurante estava bem vazio. Optamos por ficar na sala reservada. Lugar escuro e desconfortável. Senti que estava em uma prisão. Meio claustrofóbico. O garçom logo nos trouxe a carta da casa. O sistema é de rodízio, mas o cliente fica com o menu e vai pedindo o que quer comer, quantas vezes quiser. O preço do rodízio é R$ 89,90 por pessoa. No cardápio, pratos das culinárias japonesa e peruana. Esta mistura está fincando estacas no Brasil. Em todos os restaurantes que fui onde adotaram esta prática, a minha experiência não foi memorável. E no Banzai Lounge não foi diferente. O garçom disse que nos prepararia algumas surpresas, inclusive algumas fora do cardápio. Começou um desfile infindável de pratos especiais, mas nada de chegar sushi e sashimi. A maioria dos pratos era feita com salmão: salmão enrolado com cream cheese, barriga de salmão, tiradito de salmão, salmão na chapa, salmão com creme de iogurte, salmão maçaricado, e por aí vai. Pedimos sushi e sashimi. Adivinhem o que predominou: salmão! De repente, um prato de shimeji salteado no molho shoyo aqui, um shitake do mesmo modo ali, e uma porção de guioza cozido no vapor levemente selado na frigideira, recheado com carne suína. Foi um dos poucos pratos que gostei um pouco. Também chegou um tartare de atum, cujo peixe estava bem fresco, mas não me agradou. Faltava tempero que valorizasse o seu sabor. Um lomo saltado também fez parte do rodízio. As batatas estavam murchas e o molho da carne muito espesso. Pelo menos o filé estava macio. Um fato que me incomodou e que não combinou com a decoração mais fina do restaurante foi o fato do sushiman abrir um atum inteiro na bancada onde prepara o sashimi, deixando um cheiro ruim no ar, pois o peixe ainda soltava sangue que misturava com a água que estava no recipiente de plástico que ficou no chão, na passagem para o banheiro masculino. Coloquei um grande X.
Restaurante: Banzai Lounge
Endereço: Rua Joaquim Lírio, 595, Praia do Canto, Vitória, ES.
Telefone: +55 27 3024 2222
Web: http://www.restaurantebanzai.com.br
Data: 25/03/2017, sábado, jantar.
Valor total da conta: R$ 589,05; para cinco pessoas, incluído o serviço. Conta paga com cartão de crédito.
Minha nota: 4.

segunda-feira, 27 de março de 2017

DON DUE LORENZONI

A experiência: fomos conhecer as montanhas do Espírito Santo, nas região de Venda Nova do Imigrante, distante cerca de 100 quilômetros de Vitória. Na Rota do Lagarto, tendo a Pedra Azul como companhia constante durante a sua travessia, paramos para almoçar no simpático e acolhedor Don Due Lorenzoni, comandado por Fernanda Donna e pelo chef Alessandro Vallino. A casa pratica uma cozinha ítalo-brasileira, privilegiando produtos da região. Um dia lindo, fresco, com flores ao redor do restaurante, que fica em uma casa no estilo de casas europeias que ficam perto de montanhas. Tínhamos feito reserva para quatro pessoas, o que foi providencial, pois o restaurante não é grande e logo ficou lotado. Sentamos em uma mesa redonda próxima da lareira, que estava toda decorada com motivos de Páscoa, com um lindo arranjo de antúrios dominando a cena. Para beber, fui de refrigerante, quando bebi duas latas de 350 ml  de Coca Cola Zero (R$ 6,00 cada uma). Os demais da mesa tomaram suco de morango (R$ 10,00 cada copo) e água mineral sem gás (R$ 5,00). Começamos com o couvert, cortesia da casa, composto por uma cesta de pães fresquinhos e bolinhas de manteiga saborizadas com maracujá, jabuticaba e pistache. Destaco a manteiga de maracujá: levemente ácida, suave e delicada no paladar. Em seguida, compartilhamos duas entradas. A primeira a chegar foi o prato com cogumelos recheados (R$ 30,00). Embora o cardápio indique que a porção é composta por três unidades, fizeram quatro para nossa mesa. Eram cogumelos paris de tamanho médio, recheados com três queijos e macadâmias. Embora não descrito quais os queijos, consegui identificar provolone e mussarela. O sabor forte dos queijos casou bem com a delicadeza do cogumelo e a macadâmia deu o sabor seco que faltava. Muito bom. Depois chegou a polenta torre (R$ 29,00). Bela apresentação, com pedaços de polenta frita cortados em forma de quadrado, cada um maior do que o outro. Eles estavam dispostos um por cima do outro entremeados com socol, um embutido feito na região, e tomate seco, também muito produzido naquelas bandas. A polenta estava crocante, sem pingar gordura, macia por dentro. Ela sozinha bastaria para mim. Os recheios foram acessórios dispensáveis. Depois das entradas, meu prato principal chegou em uma linda cerâmica. Pedi um filé ao molho de jabuticaba (R$ 65,00). Veio um tornedor alto, macio ao ser cortado, bem cozido por fora e com o miolo bem vermelho, em ponto um pouco abaixo do que gosto. Prefiro o interior rosado, mas o sabor estava muito gostoso, principalmente com o molho de jabuticaba que o encobria. Como acompanhamento, nhoque de batatas com ervas. A massa estava muito bem feita, quase derretendo no contato com o palato. Ainda compartimos a sobremesa. Pedimos dois tiramisù (R$ 24,00 cada) para nós quatro. Tinha uma esmerada apresentação. No sabor, nada de excepcional. Tinha consistência, com queijo mascarpone em quantidade correta. Terminamos o belo almoço com uma xícara de café espresso bem tirado (R$ 6,00).
Restaurante: Don Due
Endereço: Rodovia Ângelo Girardi, Km 3, s/n, Rota do Lagarto, Pedra Azul, Domingos Martins, ES.
Telefone: +55 27 3248 1352
Web: http://donlorenzonidue.com.br/
Data: 25/03/2017, sábado, almoço.
Valor total da conta: R$ 522,50; para quatro pessoas, incluído o serviço. Conta paga com cartão de débito. O restaurante não recebe pagamento em cartão de crédito.
Minha nota: 8.

domingo, 26 de março de 2017

SOETA

A experiência: quando decidimos ir para Vila Velha, pedimos à nossa anfitriã que reservasse uma noite para jantar no Soeta, restaurante que fica em Vitória, comandado pelos chefs Bárbara Verzola e Pablo Pavón, ambos com passagem no famoso e cultuado restaurante El Bulli, do chef Ferran Adrià. Reserva confirmada para 19:30 horas de uma sexta-feira. Chegamos vinte minutos atrasados, mas minha amiga ligou antes para avisar e aumentar um lugar na mesa, passando a ser cinco pessoas ao todo. O Soeta fica em uma linda casa no buchichado bairro Praia do Canto. Ficamos em uma mesa redonda no salão principal e tão logo sentamos, já nos ofereceram a carta de vinhos. Na reserva, já tinha sido informado que faríamos o menu tradição (R$ 148,00), com algumas ressalvas na alimentação. Ninguém quis tomar vinho naquela noite. Como sempre, fui de Coca Cola Zero, lata de 350 ml (R$ 7,80), enquanto meu companheiro começou com um Guaraná Antarctica Zero, lata de 350 ml (R$ 7,80), partindo, em seguida, para um drinque especial da casa, feito com gin (R$ 28,00). Os demais da mesa pediram água com gás e sem gás (R$ 6,90 cada uma), e cinco copos de sucos (R$ 9,00 cada copo). Em dez minutos, a sequência do menu começou a ser servida. Eis o que degustamos:
01. caipirinha com espuma de cerveja - um drinque inusitado, que resultou fresco no paladar. A espuma da cerveja não me incomodou, ressaltando que não sou apreciador de cervejas.
02. torrada de focaccia com creme de queijo, folha de capuccina com camarão, pepino, flores e especiarias - sabor delicado, suave, destacando a lâmina de pepino cru que encimava o camarão. Bela entrada. Ainda nesta etapa, foi servido um tempurá de tomate cereja, que esteja muito bom. O crocante da farinha e o suculento interior do tomatinho resultaram em ótima harmonização no paladar.
03. ceviche quitenho de camarão - aqui o chef Pavon mostra a sua origem, já que é equatoriano. Ceviche muito delicado, com leche de tigre mais suave, com um pouco de azeite, mas que não o tornou enjoativo. Chips de batata doce, cebola roxa picada em tirinhas bem finas e pipoca completaram o prato. Para mim, o melhor da noite.
04. sequência italiana - foi servido uma taça com água de tomate com um ramo de manjericão. Bebida suave, como foi a comida até aqui, com ótimo aroma, deixando uma sensação de frescor na boca, preparando o paladar para os demais itens desta sequência, que era uma esfera de azeitona verde, que ao ser colocada na boca, explodiu deixando o sabor marcante da azeitona tomar conta do paladar. Um "papel" de parmesão com toques de aceto balsâmico foi o responsável pelo gostinho salgado da sequência, completada por duas lâminas crocantes e sequinhas de azeitonas, uma preta e outra verde. O gosto de tostado das azeitonas foi um diferencial.
05. espaguete com manteiga defumada, presunto de parma e champignon - quando este prato foi colocado em minha frente, senti um forte cheiro de defumado e aquilo me enjoou na hora. Só coloquei um pouco na boca, para constatar que eu estava certo na primeira impressão: o defumado era forte e invasivo. Não comi. Meu companheiro, que gosta muito de comida defumada, terminou de comer o meu prato.
07. sanduíche de linguado com maionese oriental - outro prato que gostei muito. Ele me lembrou um smorrebrod, sanduíche típico da Dinamarca, mas com toques brasileiros e orientais. Combinação perfeita entre o sabor suave e delicado do linguado com o pão tostado e crocante e a maionese oriental (que não era de wasabi, como imaginava), feita à base de ervas e um leve toque de shoyo.
08. miolo de paleta angus com purê de batata doce, champignon e legumes - o prato era bem servido, ainda mais depois de sete etapas, mas me decepcionou. A carne estava dura e fria, o mesmo valendo para o purê. Os legumes - tomate, cebola, berinjela e palmito - foram servidos levemente grelhados e foram o melhor desta etapa.
09. cannolo siciliano - sobremesa de origem italiana, aqui apresentada com sorvete de coco e um creme de goiaba. A massa era muito seca e não achei que combinou. O sorvete era bem sem graça. Não gostei.
Antes de fechar a conta, tomei uma xícara de café espresso (R$ 7,20).
Enfim, a sequência do menu começou muito bem e foi caindo, com os dois últimos pratos bem abaixo da média dos outros que o antecederam. Já conhecia o Soeta e quando lá estive da primeira vez, a minha experiência foi muito melhor.
Restaurante: Soeta
Endereço: Rua Desembargador Sampaio, 332, Praia do Canto, Vitória, ES.
Telefone: +55 27 3026 4433
Data: 24/03/2017, sexta-feira, jantar.
Valor total da conta: R$ 942,48; para cinco pessoas, incluído o serviço. Conta paga com cartão de crédito.
Minha nota: 6.

sábado, 25 de março de 2017

MOQUECARIA TERESÃO

A experiência: depois da frustração da moqueca na primeira noite no Espírito Santo, nossa anfitriã nos levou para a Ilha das Caieiras, um bairro afastado de Vitória, onde há vários restaurantes simples margeando o mangue, que são especializados em peixes, especialmente as moquecas capixabas. Assim que entramos em uma das ruas de acesso ao local, um rapaz, que via a vida passar sentado na esquina, pegou sua bicicleta, passou o carro onde estávamos e parou no final da rua. Quando chegamos perto dele, nos mostrou um cartão do restaurante para o qual trabalhava. Era a Moquecaria Teresão. Como nossa amiga já conhecia o restaurante, dizendo que era bom, resolvemos almoçar nele. O rapaz nos conduziu até a porta do estabelecimento. No caminho, um rapaz, também em bicicleta, tentou nos coptar para um outro restaurante. Dispensamos e seguimos em frente. O Teresão tem dois pavimentos. O piso de baixo é o mais disputado, pois fica bem perto do mangue e da sua varanda se tem uma linda vista, com barquinhos de pescador ancorados por perto. A decoração é bem simples. Sentamos em uma mesa ao lado do parapeito, mas logo nos mudamos, pois o sol que batia na água, refletia em nossos olhos, incomodando para enxergar. Ficamos em uma mesa mais à frente, mas ainda ao lado do parapeito. Vi um prato chegando na mesa ao lado e me deu vontade de comer. Era uma casquinha de siri (R$ 18,00), que logo pedi. Bem servida para ser uma entrada, com muita carne de siri desfiada, acompanhada por salada de tomate e cebola crua, além de uma farofa amarela. Para enfeitar o prato, um desmilinguido alface. Estava muito saborosa, com tempero suave, mesmo tendo coentro. Gostei. Bebi sempre Coca Cola Zero, lata 350 ml (R$ 5,00 cada uma). Os demais da mesa, além de refrigerante, também beberam água mineral sem gás (R$ 4,00 a garrafa) e uma jarra de suco de abacaxi (R$ 18,00). Como prato principal, escolhemos três pratos: peróa frito (R$ 60,00); mariscada gratinada com ovo (R$ 130,00); e moqueca de cação (R$ 85,00). Todos os pratos servem duas ou até três pessoas. Ou seja, muita comida chegou à mesa. Experimentei dois pratos, começando pela mariscada. Estava bonita, bem servida, acompanhada por arroz branco, pirão de peixe e moquequinha de banana. No entanto, seu sabor não me agradou. Os mariscos tinham um gosto forte, e largavam muita água. Já a moqueca de cação estava muito boa. Peixe macio, cozido no ponto correto, temperos que completavam bem o sabor do peixe. Nada era excessivo, com bom equilíbrio no paladar. Dos acompanhamentos, adorei a moquequinha de banana. A fruta estava bem doce, quase um mel, e este sabor doce foi contrastado com os temperos clássicos da moqueca capixaba, especialmente o urucum e o coentro, resultando em uma boa sensação na boca. O pirão também era muito gostoso, grosso, com o sabor de peixe se sobressaindo. Todos comeram bem e ainda sobrou muita comida. Pedimos para embalar para viagem. Pelas quatro embalagens utilizadas, pagamos R$ 8,00. Saí satisfeito, mas ainda busco uma moqueca capixaba que marque minha memória. Quem comeu o peroá frito não gostou. Acharam o peixe pequeno (vieram três peixes) e com pouca carne.
Restaurante: Moquecaria Teresão
Endereço: Rua Felicidade Correa dos Santos, 948, Ilha das Caieiras, Vitória, ES.
Telefone: +55 27 3322 9855
Data: 24/03/2017, sexta-feira, almoço.
Valor total da conta: R$ 371,86; para quatro pessoas, incluído o serviço. Conta paga com cartão de crédito.
Minha nota: 7.

sexta-feira, 24 de março de 2017

KIOSQUE DO ALEMÃO

A experiência: antes de almoçar, demos uma parada na Curva da Jurema, em Vitória, para saborear um pastel frito do Kiosque do Alemão. Era hora do almoço e o local estava cheio, especialmente as mesas externas, devidamente protegidas do sol, mas recebendo a deliciosa brisa que soprava na cidade. Sentamos em uma destas mesas. Pedimos de imediato dois pastéis fritos, completos, ou seja, pastel recheado com camarão, queijo e palmito (R$ 6,20 a unidade). Eu já conhecia o local, pois ali tinha almoçado em uma ocasião em que estive em Vitória para uma reunião de trabalho. Naquela oportunidade, tinha gostado do pastel frito, mas lembro-me bem que tinha escolhido o mais simples, apenas com camarão no recheio. Para beber, fui de Coca Cola Zero, lata de 350 ml (R$ 5,50). Meu companheiro resolveu tomar uma cerveja, pedindo uma Corona (R$ 10,00), long neck, enquanto nossa anfitriã bebeu apenas uma garrafa de água mineral sem gás (R$ 3,50). Uns vinte minutos depois de feito o pedido, os pastéis chegaram à mesa. São grandes, fresquinhos e sem muita gordura. Massa gostosa, levemente salgada, seca e crocante por fora. O recheio estava portentoso, ocupando todo o interior do pastel, mas achei a forma de ser colocado estranha. Era uma fila de camarão ao molho, camarões bem pequenos, diga-se de passagem, uma de queijo, que ao derreter se misturou um pouco com o camarão, e outra fila de palmito picado em cubinhos pequeninos. Assim, não houve uma mistura homogênea do recheio. A medida da sua bocada era a medida de como os ingredientes do recheio iriam se harmonizar na sua boca. Ficou estranho. Às vezes, o gosto do camarão se sobressaía, em outras, era o palmito que ficava mais evidente. Não gostei deste tipo de recheio. Seria mais feliz se tivesse pedido o pastel recheado somente com camarão.
Restaurante: Kiosque do Alemão
Endereço: Avenida José Miranda Machado, 14, Enseada do Suá, Vitória, ES.
Telefone: +55 27 3345 2099
Data: 24/03/2017, sexta-feira, lanche pré-almoço.
Valor total da conta: R$ 34,50; para duas pessoas, incluído o serviço. Conta paga com cartão de débito.
Minha nota: 6.