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quarta-feira, 13 de julho de 2016

MARINA MOURA - CHEF EM CASA

Ao longo do primeiro semestre de 2016 recebi vários convites, li reportagens e ouvi comentários sobre o crescimento do serviço de chef em casa em todo o Brasil, especialmente nos grandes centros urbanos. Uma amiga perguntou-me se eu topava experimentar um destes serviços. Grupo fechado, oito pessoas, todos com ligações com a gastronomia, seja por profissão, seja por deleite. Confirmamos presença para o jantar na casa desta minha amiga na noite de 29 de junho de 2016. Jantar marcado para 20:30 horas. Chegamos meia hora antes para um bate papo e também para conhecer a chef Marina Moura. Ela disponibiliza três tipos de menus fechados, todos com oito passos cada um, que a chef os nomeou de Menu Terra, Menu Ar, e Menu Água. Recebemos previamente os menus e decidimos pelo Menu Terra, cujo valor cobrado foi R$ 150,00 por pessoa, sem bebida incluída. No valor está incluído o menu completo de oito passos, o serviço da chef, de uma ajudante de cozinha e de uma garçonete, pratos e talheres. A duração total do serviço é de seis horas aproximadamente. Ela chega na casa com três horas de antecedência para preparar o jantar, que, por sua vez, dura em torno de três horas. Ao final, deixa a cozinha limpa, mas não lava taças e copos, uma vez que o serviço não os inclui. Cada dupla levou um vinho conforme as indicações de um sommelier que também fez parte do grupo do jantar. No caso, levamos uma garrafa da champanhe Veuve Clicquot.
Quando chegamos, a chef já estava bem adiantada nos trabalhos na cozinha e pouco falou. Apenas se apresentou ao grupo antes de todos tomarem assento à mesa. Às 20:30 horas começou a ser servido o jantar. Uma descrição do menu estava em frente a cada lugar na mesa.


Passo 1 - entrada 1: bavaroise de queijo feta - lindo visual, com prato de cerâmica desenhado exclusivamente para a chef (como todos os demais), milimetricamente decorado com pétalas de flores e folhas. A bavaroise era levemente doce, oca ao meio, onde foi colocado o queijo feta ralado e maçaricado. Um pouco de azeite decorou e completou a harmonização desta entrada. Prato leve, gostoso, que deixou um sabor de quero mais. Boa mistura de sabores.


Passo 2 - entrada 2: folhado de brie com goiabada e hortelã, servido com torradas. Prato também com boa apresentação, com o destaque para a brilhante cor da goiabada. O queijo brie estava empanado, mantendo uma bela crocância por fora e muito cremoso por dentro. A goiabada foi servida in natura, sem passar por fogo. Penso que se passasse por fogo seria mais interessante a harmonização com o queijo (lembrei-me do brie com damasco que foi sucesso em festas na década de 90). A torrada tinha a função de sustentar a parte cremosa do brie. Hortelã e goiabada deixaram o prato mais para o lado do doce, mostrando uma influência das viagens que a chef fez pela Ásia.


Passo 3 - entrada 3: steak tartare acompanhado de naam (pão indiano). Quantidade perfeita, com acertada decisão de colocar a gema de um ovo de codorna, o que conferiu ao prato uma certa delicadeza. Estava muito saboroso, embora, para meu gosto, a carne marinou um pouco além do ponto que gosto. Prefiro o tartare que chega mais vermelho à mesa. O pão indiano estava quente, bem temperado e foi escolha perfeita para acompanhar esta entrada.


Passo 4 - entrada 4: panqueca ao molho de alcaparras, cogumelo paris e lascas de presunto de parma. Cada prato foi servido com duas unidades de uma pequena panqueca, bem fininha e quase sem tempero que foi outra decisão correta, já que o parma é salgado. O sabor da alcaparra e do cogumelo sumiram com a presença do presunto. E não eram lascas, mas sim uma generosa fatia de parma. Se a quantidade fosse menor, talvez o sabor do presunto não se sobressaísse tanto. Como eu adoro parma, gostei do prato.


Passo 5 - prato principal 1: espaguete com manteiga de limão, acompanhado de shitake e alho negro. Um dos pratos mais bonitos da noite, mas com escolha errada da cerâmica. O shitake foi servido inteiro, necessitando de uma faca para cortá-lo, o que foi difícil porque o prato era fundo. Quanto ao sabor, era sensacional. Massa delicada, al dente, molho de limão siciliano bem suave, e um aveludado perfeito no paladar por causa do shitake. O alho negro não era agressivo, sabor levemente adocicado, muito bom.


Passo 6 - prato principal 2: costelinha de porco marinada com pimenta de cheiro ao rôti especial e aligot. Foi o prato que não gostei. O aligot tinha a consistência mais dura, sem aquela elasticidade proporcionada pelo queijo. Para quem já comeu no D.O.M., fica no imaginário que um aligot vai chegar em uma panelinha, ser retirado com duas colheres, que ficarão acima do prato com o garçom girando as colheres até que uma "bola" de aligot caia no prato do cliente. Neste caso, o prato chegou montado. Creio que tenha ficado pronto antes da hora, motivo pelo qual o queijo perdeu a elasticidade e endureceu. A costelinha estava com sal um pouco acima para meu gosto.


Passo 7 - sobremesa 1: tamagoyaki (omelete japonesa) com doce de leite. Prato com linda apresentação, com destaque para o amarelo do omelete. Não tinha sabor forte de ovo e casou muito bem com o doce de leite. A calda caramelizada puxava muito na boca, o que pode incomodar, agarrando nos dentes. Mas o sabor estava muito bom. E gostei desta mistura de influências japonesas e sulamericanas.


Passo 8 - sobremesa 2: harumaki de sorvete de creme. Não sou fã de harumaki doce, portanto não gostei desta sobremesa. O crocante da massa estava muito bom, craquelando como deve acontecer, mas como estava quente, porque passa por fritura, o sorvete virou líquido, quase um leite com baunilha.

A experiência durou mais do que três horas, porque algumas pessoas eram mais lentas para comer e o papo fluía muito bem. Infelizmente não anotei os vinhos que tomamos, por isso não posso escrever sobre a harmonização individualizada por prato. Claro que com uma mistura enorme de sabores e influências, algumas harmonizações não funcionaram, mas isto não tem relação com a chef, pois ela, como já escrevi acima, não oferece bebidas, nem mesmo água, em seu serviço de chef em casa.
Para mim, a chef precisa aparecer mais durante o jantar. Creio que ela explicar cada prato, ao invés de ser a garçonete, funcionaria melhor.
No final, gostei da experiência.
Minha nota; 7.

segunda-feira, 27 de junho de 2016

GENGHIS KHAN


Era sexta-feira, início da noite. Saímos do cinema no Shopping Iguatemi de Brasília com fome. Os restaurantes do shopping estavam com fila de espera. Pegamos o carro e fomos para o final da Asa Norte. Passamos em frente ao Genghis Khan, que não conhecíamos, e resolvemos parar.

Restaurante: Genghis Khan
Endereço: SCLN 214, Bloco C, loja 28, Asa Norte, Brasília, DF.
Telefone: +55 61 9 9973 0020
E-mail: contato@genghiskhan.com.br
Website: http://www.genghiskhan.com.br/
Wi-fi: disponível mediante senha.
Data: 10/06/2016, sexta-feira.
Horário: jantar, de 20:10 às 21:45 horas.
Mesa: para duas pessoas, localizada no corredor lateral, próximo à porta que dá acesso ao pequeno salão interno.
Ambiente: são dois ambientes. O ambiente externo ocupa os corredores laterais do bloco e parte da área entre os blocos da quadra comercial, sendo o mais concorrido por causa da fumaça que solta as panelas, item mais concorrido da casa. As mesas são desenhadas para receber as panelas, com sua parte central mais funda, onde é colocada a panela fumegante. Cadeiras muito confortáveis e bonitas. Há um pequeno ambiente interno, mas onde não havia nenhuma mesa arrumada.
Especialidade: culinária japonesa, mas sem os onipresentes sushis e sashimis. O forte são os pratos que vão ao fogo.
Serviço: o garçom nos atendeu muito bem, explicando as opções do cardápio e dando dicas de como comer. A casa aceita reservas.
Cardápio: não é extenso. A especialidade da casa é o nabemono, uma panela na qual os comensais cozinham os ingredientes disponíveis em cada opção. São três delas que levam o nome do restaurante. Também há três opções de sukiyaki. Completam o menu poucas opções de acompanhamentos, além de seis tipos de sobremesas.
O que bebi: uma lata de 350 ml de Schweppes Citrus (R$ 6,10).


O que comi: compartimos o carro chefe da casa, ou seja um nabemono. Pedimos o Genghis Khan para duas pessoas (R$ 79,00), que vem com 160 gramas de carne bovina, 60 gramas de carne suína, 60 gramas de bacon e 11 vegetais (20 gramas de cada). O nabemono é uma panela que tem o formato de um capacete redondo emborcado. Uma grelha arredondada tapa a panela de ferro que tem carvão em brasa em seu interior. Todos os ingredientes chegam crus à mesa, colocados em uma bandeja. O comensal é que controla o cozimento dos alimentos. A dica do garçom foi por o bacon na parte de cima da panela, pois o óleo que desprende dele durante o cozimento ajuda a dar sabor aos demais alimentos, além de não deixá-los grudar no ferro quente. Acompanha ainda um molho especial da casa, levemente picante, de coloração amarronzada. O molho é frio, o que ajuda na hora de comer o ingrediente que acaba de ser retirado da grelha. Respeitada a devida proporção, é como comer um fondue. Usamos os hashis para pegar cada alimento e levá-lo à grelha. Os vegetais - repolho roxo, acelga, bardana, quiabo, abobrinha, berinjela, brócolis, ervilha torta, cenoura, shimeji e batata - chegaram crus (com exceção da batata) e não estavam com um aspecto muito bom, pareciam velhos, murchos, mas ao serem colocados na brasa, mantiveram o sabor. Como não tenho a menor noção de cozinha, tive dificuldades em estabelecer o melhor momento para comer cada um dos itens, que, obviamente, não levam o mesmo tempo para chegar no ponto correto. Por via das dúvidas, deixei as carnes por muito tempo na grelha, especialmente a carne de porco. Não havia temperos nos ingredientes, por isso o molho era essencial. E era muito bom. Combinou com tudo, mas gostei mais com o repolho roxo, o quiabo e a acelga. Foi uma experiência interessante, que seria melhor se fosse em grupo maior, pois a panela ajuda a aproximar as pessoas e favorece ter boas conversas à mesa. O sabor não é a melhor coisa do mundo, mas vale a experiência. Mas é bom ver para onde o vento está soprando, pois quem ficar a favor dele pode sair defumado ao final da experiência. Foi o meu caso. Ainda pedimos três sobremesas, que são muito superiores, em sabor, à panela que compartimos:
Genghisfrutas - meia porção (R$ 9,00) - abacaxi e banana cortadas para assar na panela genghiskhan (com a grelha reta), acompanhadas de creme inglês gelado e mistura de açúcar e canela. Só comi a banana, que estava sensacional. Deixei pouco tempo na grelha, o suficiente para ela ficar quente e meio mole, a mergulhei no molho inglês e polvilhei um pouco do açúcar com canela. Simples e gostoso.


Gingerkhan - meia porção (R$ 11,00) - um tipo de brownie, só que feito com gengibre. Chegou superquente à mesa. Acompanhado por uma calda de limão siciliano e sorvete de creme. O gengibre não estava muito forte e harmonizou perfeitamente com a calda de limão. Muito bom.


Mandyus da Tia Alice (R$ 18,00) - há muito não comia doce de feijão azuki. Aqui ele veio como recheio de cinco unidades de mandyus (um tipo de pão assado), acompanhados de uma salada de frutas flambadas. As frutas estavam cortadas em pequenos pedaços, servidas dentro de uma calda muito doce, o que enjoava se comida em grande quantidade. Como o mandyu não era muito doce, a harmonizou foi boa. O mandyu comido separadamente era infinitamente melhor.
Valor total da conta: R$ 148,83, incluído o serviço, para duas pessoas. Conta paga com cartão de crédito.
Minha nota: 7.