domingo, 19 de março de 2017

1‘ REUNIÃO - CONFRARIA BH


Quando morei em Brasília, participei, de abril de 2006 a dezembro de 2016, de uma confraria que se reunia uma vez por mês para apreciar vinhos, falar sobre eles, degustá-los, conversar diversos temas e terminar sempre com um belíssimo jantar. Eram sempre dez pessoas, mas ao longo dos mais de dez anos da confraria, mais de vinte pessoas passaram por ela. Chegando em BH, em um encontro com amigos que participaram dos primeiros anos dessa confraria em Brasília, resolvemos fazer uma na capital mineira. Por questões de espaço, reduzimos o número de participantes para sete. Convites feitos em janeiro de 2017, todos aceitos. Assim, marcamos nossa primeira reunião para março. Como em Brasília, a ideia é nos reunirmos mensalmente, ao custo de R$ 250,00 por pessoa. O jantar ficou a cargo do Chef Gastón Almada, de Massa Madre BH, ao custo de R$ 500,00. Desta forma, dos R$ 1.750,00 arrecadados por mês, teremos R$ 1.250,00 para comprar os vinhos da degustação e os que harmonizarão com a refeição. O primeiro encontro aconteceu em minha casa na noite de 17 de março de 2017. Como era a reunião inaugural e não tendo um encontro com os sete anteriormente, o tema da degustação foi livre. Emi ficou responsável por comprar os vinhos. Três dias antes, todos eles já estavam na adega de minha casa. Às 20 horas da sexta-feira 17/03, Marcelo foi o primeiro a chegar, trazendo um mimo para nossa reunião, um vinho de sobremesa argentino. Mesa posta, baguete francesa comprada na Bonomi devidamente cortada em rodelas, água sem gás em profusão, pois fazia muito calor, talheres, guardanapos, recipiente para verter o que sobrou nas taças de quem não queria mais beber aquele específico vinho, caderno de anotações, apetrechos para abrir as garrafas, taças, vinhos tintos sendo decantados desde 19:30 horas, e muita disposição. Começamos por volta de 20:30 horas e degustamos quatro vinhos. Emi fez uma ótima explanação sobre cada um, bem como da região em que são feitos. Eis os vinhos da noite:

Vinho 1: Beaune 1re Cru Les Aigrots
Safra 2008, com 12,5% de gradação alcoólica, elaborado com 100% de uvas chardonnay pela Domaine de Montille, na região de Beaune, Borgonha, França (Appelation Beaune 1er Cru Contrôlée). Foi servido a uma temperatura de 12° C. Processo biodinâmico de elaboração, em terreno levemente inclinado de solo argiloso com calcário. Sua colheita é 100% manual. Na taça, revelou uma cor amarelo citrino, com tendências douradas. No nariz, os confrades sentiram abacaxi, manteiga, maracujá e tostado. Na boca, acidez bem equilibrada e com muito frescor. É importado para o Brasil pela Mistral e foi comprado pelo sítio eletrônico da importadora, custando R$ 260,52 + frete. Estagiou um ano em barricas de carvalho francês. Dos dois vinhos brancos da noite, foi o preferido dos sete confrades.

Vinho 2: Reyneke
Safra 2010, com 12,5% de álcool, elaborado com 100% de uvas sauvignon blanc pela Reyneke Wines, na região de Stellenbosch, África do Sul. Foi servido em temperatura de 16º C, um pouco acima do que deveria, o que pode ter prejudicado na avaliação final. Também vinho elaborado de forma biodinâmica. Cor amarelo dourado. No nariz, aromas minerais, de jatobá, gás e funghi. Na boca, revelou-se encorpado, com muita salivação, sinal de que a acidez era bem acentuada. No primeiro contato com as papilas gustativas, um leve sabor adocicado que some em segundos. Pede comida, de preferência com alguma gordura, como um tambaqui. Estagiou quinze meses em barricas de carvalho francês. É importado para o Brasil pela Mistral e foi comprado pelo sítio eletrônico da importadora, custando R$ 155,93 + frete.

Vinho 3: Quinta do Perdigão Reserva
Safra 2005, com 14,5% de álcool, elaborado com 50% de uvas touriga nacional, 20% de tinta roriz, 20% de jaen e 10% de alfrocheiro, por José Joaquim da Silva Perdigão, na região do Dão, em Portugal (Denominação de Origem Controlada), em área de vinha com sete hectares. Foi servido em temperatura de 16º C, após ficar decantando por uma hora e vinte minutos. Cor rubi bem fechado, com unha evoluindo para granada. No nariz, sentimos ervas, couro, baunilha, frutas negras, ameixa, anis estrelado e ameixa preta. Na boca, taninos presentes, mas sem agredir. Bem equilibrado em estrutura, acidez e taninos. Estagia doze meses em barricas de carvalho francês e americano. É importado para o Brasil pela Mistral e foi comprado pelo sítio eletrônico da importadora, custando R$ 216,32 + frete. Dentre os dois tintos da degustação, foi o preferido por Leo, Sônia, Luís e Lica.

Vinho 4: Château Poujeaux
Safra 2008, tendo 13% de álcool, elaborado com 53% de uvas cabernet sauvignon, 43% de merlot e 4% de petit verdot, na região de Moulis-en-Médoc, Bordeaux, França (Appellatiion Moulis Contrôlée), pela vinícola Château Poujeaux. Foi servido em temperatura de 16º C, após decantado por uma hora e quarenta minutos. Na taça, revelou uma cor rubi fechada, com reflexos granada. No nariz, notas de ameixa, amoras, groselha, cassis, café, couro, especiarias, pimenta do reino, pimenta calabresa e chocolate. E na boca, taninos presentes, elegantes, boa estrutura, com retrogosto de compota de frutas vermelhas. É importado para o Brasil pela Mistral e foi comprado pelo sítio eletrônico da importadora, custando R$ 255,63 + frete. Dentre os dois tintos da degustação, foi o preferido por Emi, Rogério e Marcelo.

Terminada a degustação, teve início o jantar, composto de quatro passos. Durante o jantar, tomamos o vinho francês La Grange, safra 2012, produzido por Domaine Courtois na região de Vinsobres, Côtes du Rhône (Appellation Vinsobres Contrôlée), elaborado com 60% de uvas grenache e 40% syrah, tendo 14% de álcool. Servido em temperatura de 15º C. É importado para o Brasil pela Premium e foi comprado na loja, custando R$ 100,00 cada garrafa. Tomamos duas delas. Eis nosso jantar, preparado pelo argentino Chef Gastón Almada. O jantar foi muito elogiado por todos.
Amuse bouche: bruschettas de queijo de cabra e compota de figos.
Entrada: polenta frita sobre leito de molho de goiabada picante. Por cima da polenta, escabeche de umbigo de banana.
Principal: polvo grelhado, purê de feijão branco com azeite trufado e farofa de pão.
Sobremesa: maçã em três texturas - espuma gelada de maçã, pudim de maçã, e compota levemente picante de maçã.
Junto com a sobremesa, o vinho de sobremesa presenteado por Marcelo, o Rutini Vin Doux Naturel, safra 2013, produzido pela Bodega La Rural, na região de Mendoza, Argentina, com 12,2% de álcool e elaborado com as castas semillón e verdicchio. Foi servido na temperatura de 0º C. Na taça, uma cor amarelo dourado bem brilhante. Seu aroma era forte, bem frutado, o mesmo na boca, causando uma excelente harmonização com as maçãs da sobremesa.

Excelente início da confraria. Vida longa à Confraria BH, cuja segunda reunião foi marcada para 10 de abril, com o tema vinhos tintos espanhóis.

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