sexta-feira, 18 de agosto de 2017

MAISON DE GYROS

A experiência: Paris é lotada de pequenas lanchonetes que vendem aqueles sanduíches gregos, cujas carnes ficam rodando em um grande espeto à vista dos que passam em frente. Decidimos comer em uma destas lanchonetes no domingo à noite. Perto do hotel em que estávamos, havia mais de uma dezena destas lanchonetes. Andamos pelas ruas do 5º arrondissement e nos divertimos muito, pois em cada local que parávamos para ver o cardápio ou o espetão, alguém nos chamava para entrar e experimentar o sanduíche, sempre dizendo que o dele era o melhor da cidade. Escolhemos o Maison de Gyros. Uma senhora nos atendeu na porta dizendo que não nos arrependeríamos de comer ali. Lugar pequeno, apertado e cheio. Ficamos em uma mesinha encostada em uma pilastra. Cardápio com foco nos sanduíches, todos eles acompanhados por fritas e salada verde. Ponto positivo do local: eles não enganam o cliente em relação às carnes. A mulher nos disse que para manter o preço baixo, a carne utilizada no espeto grego era apenas de frango. Resolvi experimentar o sanduíche feito com linguiça que é feita no norte da África, especialmente no Marrocos, e que ficou popular na França, o merguez (€ 7), Para beber, pedi uma lata de 330 ml de Fanta Laranja (€ 2), que repeti a dose durante a refeição. Eles montam o sanduíche muito rápido, que é servido em um prato. Um pão pita grande, feito na casa, fresco, foi colocado por cima de três pedaços de linguiça feita à base de carne de cordeiro, abundantes fritas e um pouco de salada picada com rodelas de tomate. Linguiça bem temperada, que casou bem com o pão. Bom e barato. Ao sair, resolvemos tomar um sorvete na loja Amorino, que fica na mesma rua.
Restaurante: Maison de Gyros
Endereço: 23 Rue de La Harpe, Paris, França.
Data: 07/05/2017, domingo, jantar.
Valor total da conta: € 21, para duas pessoas, incluída a gorjeta. Pagamento em dinheiro.
Minha nota: 7.

LE REST'O

A experiência: era domingo de eleição presidencial na França. Resolvemos passar o dia bem longe dos locais mais agitados, pois o clima de tensão no ar era grande, com muitos militares nas ruas, protegendo os principais pontos turísticos de Paris. Fomos para La Villette, onde há muito para ver e fazer. Na hora do almoço, optamos por almoçar no Le Rest'O, um restaurante que fica dentro do espaço conhecido como Cité des Sciences et Industrie. Não tínhamos muito tempo, pois compramos entradas para dois filmes na La Geóde. Fila de espera, mas sem ninguém para controlar. Um jovem casal com dois meninos pequenos tentou passar na frente, mas logo foi impedido por pessoas que estavam há mais tempo na fila. O salão é grande, com espaço considerável entre as mesas. Os garçons estavam frenéticos de um lado para o outro. Já eram 14:15 horas. As mesas foram esvaziando, mas ninguém as limpava. Foi preciso o primeiro da fila reclamar para que um senhor que nos pareceu o gerente ordenar uma limpeza meia boca nas mesas e acomodar todos que estavam esperando em pé na porta do restaurante. Nós fomos colocados em uma mesa próxima à saída/entrada da cozinha. O estresse dos garçons era visível. O gerente nos disse que tinha faltado gente para trabalhar. Perguntei qual era o prato de mais saída. Resposta imediata: o hambúrguer. Vimos vários deles sendo servidos. Resolvemos acatar, fazendo o mesmo pedido, ou seja 2 hambúrgueres que levam o nome da casa: Rest'O Burger (€ 15 cada um). Para beber, pedimos dois copos de Orangina (€ 3,80). Não era copo servido naquelas máquinas de refrigerantes, mas sim servido de uma garrafa pet de 2 litros. Resultado: quando chegou à mesa estava sem gás. Os sanduíches demoraram tanto que reclamei com o gerente. Após esta reclamação, os dois hambúrgueres chegaram rapidinho. O empratamento era bonito, sendo servido em uma pedra negra. Sanduíche ao centro, ladeado por uma salada de alface e tomate; e por um cesto de fritas cortadas em palitos grossos. A salada estava com ingredientes frescos e tinha um molho levemente ácido muito bom. Fritas crocantes por fora e macias por dentro. O recheio do sanduíche tinha hambúrguer de carne bovina, bem temperado, servido rosadinho por dentro, como pedi; bacon defumado, que estava crocante; cebola roxa cortada em aros, e uma fatia de queijo cheddar. O pão, tipo brioche, era macio e segurou bem todo o recheio. Apesar do serviço confuso e lento, gostei do sanduíche.
Restaurante: Le Rest'O
Endereço: 30 Rue Corentin Cariou, Cité des Sciences et Industrie, La Villette, Paris, França.
Web: http://www.cite-sciences.fr/fr/infos-pratiques/restauration/
Data: 07/05/2017, domingo, almoço.
Valor total da conta: € 38, para duas pessoas, incluída a gorjeta. Pagamento em dinheiro.
Minha nota: 6.

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

BRASSERIE LIP

A experiência: após um longo dia passeando por Paris, decidimos jantar perto do hotel, sem ter que fazer deslocamentos utilizando o transporte público ou táxi. Há muito ouço dizer do Brasserie Lip, um restaurante tradicional, com mais de 130 anos de existência, que figura em vários guias da cidade. Não era longe de onde estávamos hospedados. Fomos caminhando pelo Boulevard Saint-Germain. Chegamos ao restaurante às 21:50 horas. Ao entrar, um garçom perguntou se tínhamos reserva. Não tínhamos, mas havia muito lugar vazio no amplo salão do local, que tem decoração pesada, com muitos espelhos na parede. Pedimos mesa para dois. O garçom nos mostrou uma escada ao fundo, dizendo para subir, que havia mesa disponível no segundo piso. Achei estranho, pois havia mesa limpa e vazia ali no primeiro piso, mas seguimos a sua recomendação. O salão superior é menor, com mesas mais coladas umas nas outras, lugar comum nos restaurantes franceses. O maitre se dirigiu a nós e nos conduziu até uma mesa pequena à esquerda do salão. Perguntei se não poderia ficar em outra mesa, tão pequena quanto, só que no meio daquele ambiente. Resposta negativa. Para que eu pudesse me sentar no sofá que percorre toda a parede, ele puxou a mesa. Enquanto ele a puxava, dois turistas orientais aproveitaram para sair da mesa ao lado, uma mesa de canto. Assim que o maitre empurrou a nossa mesa novamente, eu a corri para o lado, pois queria espaço para eventual saída. Um outro garçom viu, me fuzilou com os olhos e colocou a nossa mesa no mesmo lugar de antes. Decidimos ir embora. Um terceiro garçom perguntou porque estávamos levantando. Respondi que queria espaço. Ele apontou a tal mesa do centro, a mesma que eu queria ter ficado desde o início, que nos foi negada pelo maitre, e nos acomodou nela. Passado este fato, veio o cardápio. Eu entendo o francês, mas não domino a língua suficientemente no quesito alimentação. Tive que chamar o garçom para perguntar algumas coisas.
Um prato me chamou a atenção, pois tinha cinco letras A em frente a ele no cardápio. Perguntei o que aquilo significava. Era um prato super recomendado, uma iguaria, uma especialidade da casa. Era o andouillette AAAAA grillée (€ 22,50). Não sabia o que era, estava sem rede no celular para consultar o oráculo Google, e no restaurante não há wi-fi. Tive que perguntar ao garçom, que tentou explicar, mas só entendi que era alguma coisa relacionada a porco. Então ele apontou para a barriga. Tanto eu, quanto meu companheiro, entendemos que era barriga de porco, prato que gosto muito. Pedi sem exitar. Meu companheiro escolheu um prato que tinha visto em uma das mesas, jarret de porc avec lentilles (€ 22,90). Decidimos também pedir entradas. Eu, uma terrine de campagne (€ 12,50). Ele, um tartare thon (€ 16). E para beber, uma garrafa de vinho tinto Crozes Hermitage Les Jales Paul Jaboulet Aîné, elaborado com a casta syrah, safra 2013 (€ 42). As entradas logo chegaram. Meu companheiro nem tocou na dele, pois o tartare de atum tinha muito pepino cru na sua base. Ele não gosta de pepino cru. Dei minha terrine para ele. Comi o tartare, mas não apreciei muito, pois estava impregnado de coentro, erva que não gosto, pois ela mascara todos os demais sabores. A terrine estava bem feita. Comi um pedacinho. Demorou para chegar o pedido principal. Quando o meu prato foi colocado em minha frente, achei diferente a "barriga de porco", pois estava servida em formato de salsicha, mais grossa, com a casca bem dourada. Acompanhava uma bem servida porção de batatas fritas. O prato de meu companheiro, um joelho de porco assado, servido com lentilhas, era bem servido, muito aromático. Assim que parti um pedaço da tal salsicha, um cheiro desagradável de merda penetrou em meu nariz. Meu companheiro também sentiu. Assim que vi o pedaço que estava espetado em meu garfo, percebi que não tinha entendido direito o gesto do garçom. Andouillette é tripa de porco. E fedia muito. Tirei as batatas do prato e pedi para levar aquela coisa fedorenta da mesa. O garçom tirou o prato com um leve sorriso nos lábios. Ainda experimentei o pedaço que estava no garfo, mas definitivamente o sabor era horrível. Bebi um bom gole de vinho para tirar aquele gosto da boca. Como o joelho de porco com lentilhas era bem servido, dividimos este prato, juntando a batata frita. A carne estava bem cozida, descolando fácil do osso, mas a pele era mole demais. Prefiro quando ela vem crocante. Para compensar, a lentilha estava ótima. Para finalizar, pedi uma baba au rhun (€ 11,90), sobremesa que não encontro facilmente nos restaurantes franceses do Brasil. Veio um mini panetone deitado em uma piscina de calda de rum. A bebida entranhou muito na massa, ficando insuportável para comer. Deixei quase tudo no prato. Pelo menos o vinho era bom. Para piorar a noite, a conta demorou muito a chegar. Coloquei um X enorme no Brasserie Lip. 
Restaurante: Brasserie Lip
Endereço: 151 Boulevard Saint-Germain, Paris, França.
Telefone: +33 1 45 48 53 91
Web: http://www.brasserielipp.fr/
Data: 06/05/2017, sábado, jantar.
Valor total da conta: € 130, para duas pessoas, incluída a gorjeta. Pagamento em dinheiro.
Minha nota: 4 (por causa da lentilha, pois do contrário seria menos).

FONTE

A experiência: trabalho no Centro de Belo Horizonte, onde as opções de almoço são enormes, mas com pouquíssimas cuja relação custo X benefício seja realmente boa. Colegas de trabalho me indicaram um restaurante de culinária macrobiótica. Fui com eles e gostei muito. Tanto é que fui pela terceira quinta-feira seguida ao Fonte, que fica em uma casa dentro da Vila Werneck, um local super agradável. Para entrar na vila, tem que tocar um interfone, onde o restaurante já está identificado. Desta vez, fui sozinho. O local é pequeno e está instalado na última casa da direita da rua à esquerda de quem entra. O Fonte funciona nesta vila desde 1977. Pratica, como já escrevi acima, a culinária macrobiótica, com alimentos orgânicos. Em todas as quintas-feiras em que fui havia duas opções de pratos: o fonte e o oriental, ambos sem proteína animal. Também às quintas, há um prato com tilápia preparada em duas formas: assada ou frita. Não há garçons. Você chega, vai direto ao caixa, faz sua escolha, informa seu nome e espera sentado ser chamado. A composição dos pratos está escrita em uma lousa branca que fica ao lado do caixa. Pedi o prato fonte, sem o arroz integral. Eles chamam esta variedade de complemento (R$ 16,00) e uma tilápia assada ao molho de laranja (R$ 14,00). Para beber, um refresco de banchá (R$ 6,00). Todas as mesas estavam ocupadas, mas ali ninguém se importa em dividir mesa. Fiquei esperando em uma mesa para quatro, dividindo-a com um casal de idosos. Em cinco minutos, chamaram meu nome. Busquei a bandeja na janelinha da cozinha, atrás do caixa, retornando para outra mesa, desta vez ocupada por apenas uma pessoa. No prato havia dois pedaços de abobrinha assada, recheada com tofu ralado, levemente temperado com tomatinho cereja, cujo sabor não me agradou muito, acho que faltou tempero na abobrinha; cenoura e bardana ralados em filos longos, que estavam em ponto crocante; acelga e agrião refogados, com sabor amargo no ponto correto; conserva de rabanete; e cozido de legumes com araruta. Em outro prato estava o filé de tilápia assada coberta por molho de laranja, acompanhada de alface cortada em tiras e uma salada bem refrescante. Gostei muito do cozido, estava bem temperado, e tinha cenoura, repolho, talos de couve-flor, além da araruta, uma raiz muito nutritiva e que é pouco utilizada na nossa culinária. O peixe também foi outro destaque, pela textura, pelo cozimento, e pelo tempero. O molho de laranja era leve, sem agredir o sabor da tilápia. O refresco, chamado de refuresco, é realmente refrescante, especialmente se tomado em dias quentes. Eu sempre como muito rápido, mas ali no Fonte, vendo as pessoas sem pressa alguma, acabo por ser contagiado, comendo mais pausadamente. Na mesa em que me sentei havia um homem que sempre almoça ali. Ele puxou conversa e batemos um ótimo papo sobre o restaurante e a Vila Werneck. O fato de ela estar no centro da cidade contrasta com o ritmo intenso deste mesmo centro, já que é um local tranquilo, gostoso de ficar. Assim que as pessoas terminam de almoçar, elas levam a bandeja com os pratos sujos até uma outra janela, onde os empregados, sempre sorridentes, a recebem para lavá-las. Já escrevi que não sou adepto a este tipo de "faça você mesmo", pois isto retira postos de trabalho. Eu ia deixar minha bandeja na mesa, mas o homem com quem fiquei conversando se ofereceu gentilmente para levar a minha junto com a dele. Aceitei, agradecendo. Para pagar, com a comanda na mão (que lhe é devolvida quando você pega o prato com sua escolha), fui novamente ao caixa. Tudo simples e rápido. Ainda ganhei mais uma assinatura no meu cartão fidelidade. Completando dez refeições acima de R$ 25,00, o cliente assíduo ganha uma refeição de até R$ 30,00.
Restaurante: Fonte de Minas
Endereço: Rua Guajajaras, 619, Casa 13, Vila Werneck, Centro, Belo Horizonte, MG.
Telefone: +55 31 3224 9630
Data: 17/08/2017, quinta-feira, almoço.
Valor total da conta: R$ 36,00. Pagamento em cartão de crédito.
Minha nota: 8.

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

LA CHAUMIÈRE EN L'ILE


A experiência: era sábado, dia 06 de maio. Chovia em Paris. Depois de enfrentar uma fila enorme, que andou rápido, para entrar na Catedral Notre Dame, desistimos de entrar em outra fila para subir na sua torre. Tínhamos fome. Resolvemos almoçar ali por perto. Alguns metros e alcançamos a Ponte Saint-Louis, que dá acesso à ilha de mesmo nome. Na esquina da direita, terminada a ponte, está o restaurante La Chaumière en L'ile. A chuva apertou. Era ali mesmo que seria nosso almoço. A especialidade da casa é a tradicional cozinha francesa. Como na maioria dos restaurantes deste tipo de Paris, a calçada em frente é tomada por mesas e cadeiras com espaços diminutos entre elas. Fomos prontamente recebidos. Escolhemos uma mesa no pequeno salão interno, à esquerda de quem entra, espremida entre a parede e o balcão do bar. Não tivemos dúvida em eleger  a chamada formule: entrada, prato principal e sobremesa. Este menu custava  18,50. Para beber, escolhi uma garrafa de 330 ml do refrigerante local, Orangina (  5,50). Para quem não conhece, é um refrigerante à base de laranja, com coloração amarela, cujo sabor em nada lembra a nossa Fanta. Tem mais gosto da fruta. Dentre as opções apresentadas pelo garçom, escolhi os seguintes pratos da culinária francesa:
1) entrada: salade chèvre chaud - clássica salada de folhas verdes com um pequeno queijo de cabra quente no meio. Pedaços pequenos de nozes deram a crocância necessária ao prato. O queijo era de gosto suave, embora com aquele sabor marcante deste tipo de queijo. Bem feito.
2) prato principal: coq au vin - mais um clássico da gastronomia francesa, o famoso frango ao molho de vinho. Chegou rapidamente à mesa, tão logo terminamos nossas entradas. Era razoavelmente bem servido, mas achei a carne um pouco dura. Acompanhou o prato uma guarnição de batatas assadas, que estavam temperadas com ervas. Foi o melhor do prato.
3) sobremesa: tarte tatin - e tome clássico francês, desta feita a tortinha de maçã. Servida morna, tinha uma fina massa, que cumpriu a função de dar suporte ao portentoso recheio de maçã cozida. O melhor do almoço.
Durante a refeição, quatro pessoas foram acomodadas na única mesa que havia disponível no salão interno. Justamente ao nosso lado. Foi uma dificuldade para todos se acomodarem, pois não havia como eles se sentarem sem que nós nos levantássemos. O garçom foi bem gentil, ao perceber que iria interromper nossa refeição, levou os quatro comensais para dentro do bar, de onde acessaram a mesa pelo outro lado. Estávamos tão próximos que parecia uma única mesa. Como sói acontecer em Paris.
Terminei com um bem tirado café espresso ( 2,50).
Quando saímos, havia fila de espera, com mais de dez pessoas aguardando sua vez para também almoçar.
Restaurante: La Chaumière en L'ile
Endereço: 4 Rue Jean du Bellay, ile Saint-Louis, Paris, França.
Telefone: +33 1 43 54 27 34
Data: 06/05/2017, sábado, almoço.
Valor total da conta: € 55, para duas pessoas, incluída a gorjeta. Pagamento em dinheiro.
Minha nota: 7.
Observação: a foto que ilustra esta postagem não é de minha autoria, pois meu celular ficou sem bateria pouco antes de irmos para o restaurante. Baixei do site http://www.isl-paris.com.

segunda-feira, 31 de julho de 2017

LES FOODIES

A experiência: o segundo jantar em Paris em nossas férias de maio de 2017 foi um achado. Não tínhamos noção de onde ir, mas queríamos comer em um dos muitos bistrôs que fervilham nas noites do Marais. Era sexta-feira, fazia frio. Depois de muito andar, entrar em mais de um restaurante, chegar a sentar e desistir, meu companheiro, vendo minha cara de poucos amigos, enfim achou um restaurante em uma esquina escondida por uma multidão de gente que estava em um bar da cena gay parisiense. Passamos por tal multidão, alcançando um simpático bistrô, com o azul dominando as paredes externas. Um misto de recepcionista e garçom nos recebeu na porta, perguntando se queríamos beber no balcão do bar ou jantar. Sabendo que iríamos comer, nos levou até uma confortável mesa na lateral da esquerda de quem entra. O local era novo, tendo sido inaugurado no segundo semestre de 2016, mas seu chef já tinha passagem por restaurantes indicados pelo Guia Michelin. Para tirar um pouco o mau humor da caminhada sem fim, pedi meu drinque favorito, o Spritz Apèrol (€ 10). Não tardou a chegar à mesa. Foi um divisor para meu humor naquela noite. Para jantar, começamos dividindo uma entrada, uma salada de polvo grelhado, acompanhado por queijo scarmoza e homus (€ 17). Mistura de sabores, de influências culinárias, que teve um bom resultado no paladar. O polvo estava no cozimento correto, macio, bem temperado. Foi um ótimo cartão de visitas para o que viria em seguida. Meu prato principal foi um frango caipira de Gers, servido em leito de quinoa negra, aspargos brancos, pimenta e laranja (€ 24). Prato bem servido, exalando muito aroma, já que elementos poderosos estavam nele, como a laranja e a pimenta. Mais uma mistura de sabores e influências culinárias distintas fizeram deste prato uma experiência agradável no meu paladar. Já estava satisfeito, mas o garçom nos convenceu a pedir sobremesa, tipo se não gostar, não paga. Pedimos as duas que ele indicou: um tiramisù (€ 8) e um les foodies split (€ 9), uma versão da casa para a famosa banana split. Experimentei as duas. Boas, bem executadas, mas nada de excepcionais. Terminamos, assim, um bom jantar. Graças ao acaso!
Restaurante: Les Foodies
Endereço: 6-8 Square Sainte-Croix de La Bretonnerie, Le Marais, Paris, França.
Telefone: +33 9 82 42 73 09
Data: 05/05/2017, sexta-feira, jantar.
Valor total da conta: € 85, para duas pessoas, incluída a gorjeta. Pagamento em cartão de crédito, sendo a gorjeta em dinheiro.
Minha nota: 8.

DERRIÈRE

A experiência:  uma amiga, ao saber que eu estava em Paris, enviou uma mensagem sugerindo um restaurante, sabendo que eu gosto de conhecer locais interessantes. Era o Derrière. Depois de muito caminhar pelo Marais, decidimos almoçar neste local. Olhamos no mapa a melhor rota de onde estávamos e caminhamos até ele. O restaurante fica em um prédio afastado da rua, tendo uma passagem que chega a um terraço interno, onde algumas mesas estavam disponíveis. Fazia frio. Preferimos entrar. Assim que entramos, um atendente olhou o relógio: 14:50 horas. Pedi uma mesa para dois. Ele chamou outra pessoa que nos disse que a cozinha fechava em dez minutos, mas que nos atenderia se fôssemos rápidos em nosso pedido. Nem precisava de muito esforço para decidir, pois o menu do almoço é super enxuto. Você escolhe uma entrada e um prato principal, ou um principal e a sobremesa, incluindo uma bebida, ao preço fixo de  25. Se quiser o trio, paga-se € 30. Eram cinco opções de entradas, cinco de pratos principais e quatro de sobremesa. O garçom ficou em pé ao nosso lado, meio que fazendo pressão para tirar o pedido. Ambos escolhemos o menu de  25, ambos bebida + entrada + prato principal. Para beber, pedimos Coca Cola Zero, garrafa de 330 ml. Minha entrada foi antepasto de berinjela, homus e coulis de manjericão. Entrada muito bem servida, com ótimo aroma. O visual que não ajudava muito. O sabor era forte, mas sem ser enjoativo. Com o pão que foi servido em uma cesta, ficou ótimo. Assim que terminamos de comer as entradas, chegaram os pratos quentes. No meu caso, foi um um leitão de leite assado em baixa temperatura, acompanhado por acelga e abóbora moranga grelhadas. Mais um prato bem servido, também com um visual feio, mas muito aromático, pois era temperado com muitas ervas. Carne macia, quase derretendo na boca. O sabor amargo da acelga foi um bom contraponto ao sabor delicado e adocicado da carne de porco. Somente depois de almoçar que fomos curtir a decoração do Derrière. Com muitas peças de brechó, seus ambientes são decorados de forma despojada e alegre. O restaurante ocupa dois pisos do prédio, preservando os antigos ambientes da casa. Assim, você pode sentar em uma mesa pequena no antigo banheiro, ou em uma mesa grande no salão principal. Os banheiros também são um caso à parte no quesito decoração, com banheiras servindo de pia, por exemplo. Ficamos sabendo depois, que é um dos restaurantes pré-balada do momento, sendo suas noites bem concorridas, sendo recomendável reservar antes.
Restaurante: Derrière
Endereço: 69, Rue des Gravilliers, Paris, França.
Telefone: +33 1 44 61 91 95
Web: http://derriere-resto.com/fr/restaurant/paris/derriere/about/
Data: 05/05/2017, sexta-feira, almoço.
Valor total da conta: € 50, para duas pessoas, sem gorjeta. Pagamento em dinheiro.
Minha nota: 7.

domingo, 30 de julho de 2017

AU SAINT BENOÎT

A experiência: chegamos atrasados em Paris e, por consequência, também atrasamos para encontrar com minha tia e meu primo para jantar, que estava marcado para 21 horas. Pouco antes das 22 horas, conseguimos nos encontrar na esquina do Boulevard Saint-Germain com Rue Saint Benoît. Minha tia conhece muito bem Paris, com guias escritos sobre a cidade. Ela nos sugeriu ir a um restaurante que frequenta sempre que está na capital francesa, o Au Saint Benoît, cuja especialidade é a tradicional cozinha francesa. Ele existe desde 1984. Claro que aceitamos a sugestão. Eu já o conhecia, quando lá estive com meus pais, ainda nos idos dos anos 90. Quando entramos, foi uma festa. Garçom, gerente, balconista, todos vieram saudar minha tia. O local é pequeno, com dois pisos. Ficamos no nível da rua, em uma apertada mesa para quatro pessoas. Logo chegou uma taça de champanhe rosé para cada um de nós como cortesia da casa. Brindamos aquele encontro. O cardápio é bem enxuto, bem ao estilo bistrô, com clássicos da culinária francesa. Resolvemos beber um tinto, cabendo a mim a escolha de qual vinho francês beberíamos. A carta de vinhos também é pequena, somente com vinhos franceses, como já era de se esperar. Escolhi o Les Abeilles de Colombo ( 25,50), produzido em Côtes du Rhône por Jean-Luc Colombo, com 13,5% de teor alcoólico, safra 2015, sendo elaborado com as castas grenache, mourvèdre e syrah. O vinho era gostoso de se beber e combinou bem com meu prato, um tartare de boeuf. Eis os pratos pedidos e as minhas impressões do que experimentei:
1. soupe a l'oignon gratinée (€ 9). Prato escolhido por minha tia. Tradicional sopa de cebola, que ela elogiou bastante.
2. magret du canard au miel et aux épices, purée maison parfumée a la truffe noir (€ 40). Prato escolhido por meu primo e por meu companheiro. Magret de pato ao molho de mel e especiarias, acompanhado por purê trufado, receita da casa.
3. tartare de boeuf au couteau, frites maison et salade (€ 23,50). Tartare de carne bovina cortada na ponta da faca, batatas fritas e salada verde. Foi minha escolha. Bem feito, bem temperado, com corte preciso da carne. As fritas estavam secas, crocantes por fora e macias por dentro. A salada era comum, que se encontra em qualquer restaurante francês: um mix de folhas de alface com um molho ácido, mas na medida correta. Gostei do que comi.
4. profiteroles au chocolat chaud (€ 10). Profiteroles com chocolate quente. Sobremesa de meu primo.
5. Tarte tatin (€ 10). A famosa torta de maçã francesa, escolha de meu companheiro, que disse ter comido a melhor tatin de sua vida.
6. Crème brûlée façon catalane (€ 10). Creme brulê à moda da Catalúnia. Foi meu pedido de sobremesa. A crosta de açúcar previamente maçaricada estava uniforme e se quebrou lindamente quando bati com a colher, revelando um creme fino, delicado, levemente doce. Muito bom.
Restaurante: Au Saint Benoît
Endereço: 26, Rue Saint Benoît, Paris, França.
Telefone: +33 1 85 15 22 14
Web: http://www.ausaintbenoit.fr/
Data: 04/05/2017, quinta-feira, jantar.
Valor total da conta: minha tia foi super gentil e nos proporcionou um delicioso jantar, pagando toda a conta.
Minha nota: 7.

sexta-feira, 28 de julho de 2017

DOMINO

A experiência: era nossa última noite em Dubrovnik e na Croácia. Queríamos um lugar legal para jantar, mas chegamos muito tarde à cidadela, por volta de 22 horas. Era quarta-feira, com pouco movimento noturno. Muitos restaurantes fecham as portas cedo. Não tínhamos consultado nada, nem pedido indicações. Fomos guiados pelo acaso novamente, desta vez por ruelas que ainda não tínhamos passado. Deparamo-nos com um restaurante ainda aberto, o Domino, uma steakhouse, em uma pracinha bem escondida. Os garçons assistiam uma partida de futebol em um quartinho que usam como depósito e fica em prédio distinto ao do restaurante. Um casal nos viu olhar o cardápio na entrada e nos disse que não iríamos nos arrepender de comer ali. Aceitamos a sugestão. Eles já estavam no café. Apesar de ter um amplo salão interno, preferimos, mais uma vez, ficar sentados nas mesas externas, que tomam conta de quase toda a praça. Logo ficamos sozinhos. O atendimento foi muito bom. Não quis beber nada com álcool, nem meu companheiro. Fui de Coca Cola Zero, garrafa de 250 ml (Kn 25), enquanto ele pediu um suco de maçã em garrafa, também de 250 ml (Kn 25). Aceitamos o couvert apresentado pelo garçom, uma cesta de pães e manteiga, pelo qual pagamos Kn 24. Como escrevi acima, a especialidade do local eram carnes, incluindo um prato muito típico da Croácia, o cevapcici (Kn 93), que eu escolhi, pois o que tinha comido em Zagreb não tinha sido uma boa experiência. Meu companheiro escolheu um T-bone (Kn 185). Como o prato dele não vinha com acompanhamento, pedimos uma porção de batatas fritas (Kn 27) e uma porção de legumes grelhados (Kn 33). Ficamos jogando conversa fora, comendo o delicioso pão com manteiga, e nem vimos o tempo passar. Meu prato era bem servido. Vieram seis bolinhos de carne temperados, parecendo mini kaftas, que estavam acompanhados por cebola crua picada e uma pasta de pimentão vermelho. No lugar do pão pita, como li que é a maneira mais comum de servir esta iguaria croata, veio arroz, que foi feito com um pouco desta mesma pasta de pimentão, conferindo-lhe um sabor levemente adocicado. A carne estava deliciosa. Gostei muito desta vez. Não experimentei os legumes, apenas a batata, que veio sequinha e fresca. Fechamos bem nossa estadia em Dubrovnik.
Restaurante: Domino
Endereço: Ulica od Domina, 6, Dubrovnik, Croácia.
Telefone: +385 20 323 103
Data: 03/05/2017, quarta-feira, jantar.
Valor total da conta: Kn 437, para duas pessoas, incluída a gorjeta. Pagamento em Visa Travel Money, sendo a gorjeta em dinheiro.
Minha nota: 8.

LOKANDA PESKARIJA

A experiência: estávamos andando pelo pequeno porto dentro da cidadela, em Dubrovnik, já com fome, e vimos um destes restaurantes típicos de beira mar, bem cheio. Fomos fisgados pelos baldes que passavam entre as mesas cheios de mexilhões. Paramos, sentamos em uma mesa na parte de fora, onde almoçamos vendo o movimento intenso de turistas, especialmente de pessoas que estavam em cruzeiros. O serviço foi rápido e eficiente. O cardápio é enxuto, com a descrição dos pratos em mais de uma dezena de línguas, incluindo o português. Não fugimos da especialidade da casa, pedindo dois pratos para compartilhar. Lulas fritas (Kn 99) e o carro chefe do restaurante, os mexilhões cozidos e servidos em água levemente salgada (Kn 88). Para beber, somente refrigerantes (Kn 24 cada um). Bebi uma garrafa de 250 ml de Coca Cola Zero e outra de Fanta Laranja. Ambos os pratos foram bem servidos e chegaram juntos à mesa, acompanhados por um cesto de pães, cortesia da casa. As lulas vieram cortadas em anéis, empanadas com farinha de trigo. Estavam macias, sequinhas, com um bom tempero. Os mexilhões estavam muito bons, temperados apenas com sal e alho. Comemos bem, ficamos satisfeitos e não nos sentimos pesados. Embora bem ao estilo pega-turista, gostamos da experiência.
Restaurante: Lokanda Peskarija
Endereço: Ribarnica, 2, Dubrovnik, Croácia.
Telefone: +385 20 324 750
Data: 03/05/2017, quarta-feira, almoço.
Valor total da conta: Kn 303, para duas pessoas, incluída a gorjeta. Pagamento em Visa Travel Money, sendo a gorjeta em dinheiro.
Minha nota: 7.

quinta-feira, 27 de julho de 2017

AMORET

A experiência: quando caminhávamos pelas ruas da parte medieval de Dubrovnik, vimos um restaurante que gostamos para um jantar, o Amoret. Assim, depois de um dia intenso de passeios, com um providencial descanso no hotel, voltamos para a cidade dentro dos muros para jantar. Era tarde da noite, por volta de 22 horas. O movimento era bem pequeno, com muitos restaurantes já fechados, mas o que a gente tinha escolhido estava em funcionamento. Ele fica em uma arcada lateral, mas o charme é sentar em sua área externa, que fica em um canto de frente para a entrada principal da catedral. Justamente nesta parte de cima da catedral ficava um músico dedilhando seu violão. Música ao vivo, que não incomodava e sem cobrança de couvert artístico. Ficamos nesta área externa, onde só havia mais uma mesa ocupada. Aquecedores de ambiente e mantas estavam ali para garantir proteção contra o frio para os clientes. Atendimento muito bom. A noite pedia um vinho tinto. Pedimos indicação ao garçom, que nos ofereceu o vinho croata Negromant, elaborado com a casta merlot, safra 2015, com 13,9% de teor alcoólico (Kn 280). Apreciamos tanto que, quando deixamos a Croácia, compramos duas garrafas no aeroporto. Junto com o vinho, uma garrafa de água mineral com gás de 750 ml da marca local Romerquelle (Kn 29). Aceitamos outra sugestão do garçom para a entrada. Na verdade, petiscamos uma tábua de queijos croatas (Kn 119), acompanhada por cesto de pão e manteiga (Kn 18). Os queijos eram muito bons, com um sabor mais puxado para o salgado, massa dura e amarela. O cardápio é dedicado à culinária da Croácia, especialmente da região da Dalmácia, onde fica Dubrovnik. Escolhemos o mesmo prato: pasticada (Kn 139 cada um). Quando o prato chegou, me veio à mente a culinária italiana, com muito molho escuro e uma massa. No caso, carne cozida por longas horas, recheada com bacon e cenoura, servida com nhoque e o molho da própria carne. O molho era espesso, saboroso, destes que dá vontade de raspar o prato com um pedaço de pão. Nhoque muito bom, desmanchando no céu da boca, sem largar nenhum gosto de farinha. A carne tinha o sal um pouco acima, mas este fato não atrapalhou a experiência. Depois de quase duas horas no Amoret, pagamos a conta e retornamos para o hotel. Dia encerrado com ótima gastronomia.
Restaurante: Amoret
Endereço: Ulica Od Pustijerne, 2, Dubrovnik, Croácia.
Telefone: +385 20 323 739
Data: 02/05/2017, terça-feira, jantar.
Valor total da conta: Kn 774, para duas pessoas, incluída a gorjeta. Pagamento em Visa Travel Money, sendo a gorjeta em dinheiro.
Minha nota: 8.

MAMA'S POT TAVERN

A experiência: mais uma ao acaso em Dubrovnik. Desta vez, nos deixamos levar por um senhor que anunciava as maravilhas dos pratos caseiros do restaurante Mama's Pot Tavern, especializado em pescados. Sentamos em uma mesa externa. Não havia muita gente, mesmo porque já eram 15 horas de uma terça-feira. O cardápio é enxuto, estando escrito no próprio jogo americano de papel que forra as mesas. Atendimento distante, mas sem comprometer nosso almoço. Não demorei muito para escolher um peixe, afinal era a especialidade da casa. Fui de badejo grelhado com vegetais da estação (Kn 139), enquanto meu companheiro escolheu o camarão tigre negro ao estilo da Dalmácia, acompanhado por arroz e vegetais (Kn 129). Para beber, apenas Coca Cola Zero, garrafa de 250 ml (Kn 29), o tamanho padrão de refrigerante que é vendido na Croácia. Os pratos não demoraram à chegar. Razoavelmente bem servido, mas com um visual não muito atraente. Faltou capricho na montagem do prato. Os legumes da estação eram brócolis, batata, pimentão amarelo, berinjela e tomate cereja. Todos em porções mínimas. Alguns vieram cozidos, outros crus, e outros levemente grelhados. O badejo estava cozido no ponto correto, mas sem tempero que lhe subisse o sabor. É uma boa opção para quem quer comer leve e barato. Meu companheiro não apreciou muito seu prato, dizendo que o molho de tomate sufocou o sabor delicado do camarão tigre. Não quisemos sobremesa e nem café.
Restaurante: Mama's Pot Tavern
Endereço: Prijeko ulica, 26, Dubrovnik, Croácia.
Telefone: +385 20 611 611
Data: 02/05/2017, terça-feira, almoço.
Valor total da conta: Kn 326, para duas pessoas, incluída a gorjeta. Pagamento em dinheiro.
Minha nota: 5.

quarta-feira, 26 de julho de 2017

STORIA

A experiência: quem me conhece sabe que gosto muito de ter as coisas planejadas quando viajo, especialmente no quesito gastronomia. Pesquiso antes quais são as melhores opções para almoço, lanche, jantar ou um simples café na rota que irei fazer quando estou de férias. No entanto, de vez em quando, deixo o acaso ditar as regras. Foi o que fizemos no primeiro passeio dentro da cidade medieval no centro de Dubrovnik. Após percorrer todo o percurso por cima da muralha, apreciando vistas deslumbrantes, continuamos sem ermo nas ruas e becos estreitos da cidade antiga. Em uma destas ruas, um local nos chamou a atenção o restaurante Storia. Tinha quatro mesas na estreita rua, encostadas no muro, três das quais ocupadas com gente bebendo vinho, fumando (os croatas fumam em todos os lugares) e conversando. Era finalzinho de tarde de uma segunda-feira, mas era feriado, dia 01º de maio. A garçonete não combinava com as ruas medievais, com seu cabelo colorido e cara de poucos amigos. Resolvemos parar para descansar, acessar a internet usando o wi-fi do restaurante e beber uma taça de vinho croata. Sentamos na mesa vazia do lado de fora, embora houvesse muitas mesas no interior do restaurante. O charme era sentar ali fora, vendo as pessoas passarem sem pressa. Para começar, pedimos duas taças de vinho tinto da casa (Kn 24 cada uma), acompanhadas por uma garrafa de um litro de água com gás Jamnica (Kn 30). Na mesa ao lado, chegou uma aromática pizza. Pensamos que seria uma boa pedirmos algo para petiscar. Escolhemos um prato dalmático (Kn 120) que servia duas pessoas. Como o prato era frio, chegou rapidamente à mesa. Era uma seleção de presunto cru, salaminho vermelho picante, queijo pecorino, azeitonas verdes e pretas, boquerones, alcaparras, rúcula e pão tipo italiano. Estava tão boa a seleção, que pedimos mais uma taça de vinho tinto, além de uma garrafa de de 250 ml de Coca Cola Zero (Kn 25). E a tarde foi baixando de mansinho, o tempo foi passando e nós ali sentados, sem pressa, sem compromissos. A esta altura, a garçonete já era uma simpatia em pessoa. Outra pizza passou por nós. Não resistimos e resolvemos jantar, pedindo uma pizza capriccioso (Kn 75). Já veio partida em duas metades, servidas uma em cada prato. O recheio tinha molho de tomate, presunto cozido, cogumelo paris e orégano. Sem chances de ter erros. Massa mais grossa, saborosa, que absorveu bem a suculência do recheio. Finalizamos com duas xícaras de café espresso (Kn 14 cada uma).
Restaurante: Storia
Endereço: Ulica Kneza Damjana Jude, 6, Dubrovnik, Croácia.
Telefone: +385 91 211 1152
Data: 01/05/2017, segunda-feira, jantar.
Valor total da conta: Kn 370, para duas pessoas, incluída a gorjeta. Pagamento em dinheiro.
Minha nota: 7.

terça-feira, 18 de julho de 2017

FORTECA

A experiência: chegamos em Dubrovnik no início da tarde. Depois de fazer check in no hotel e colocar as malas no quarto, saímos em direção à parte antiga da cidade. Fomos de ônibus, cujo ponto final fica na entrada principal da cidade muralhada. Assim que descemos, percebemos o quão movimentado era o local, com centenas de turistas aproveitando o belo dia que fazia. Era 01º de maio, feriado mundial. Antes de entrar, decidimos comer do lado de fora, pois não tínhamos noção como era lá dentro e não estávamos dispostos a ficar andado erraticamente para procurar um local para almoçar (depois de entrar, vimos que havia opções para todos os gostos e bolsos, com muito mais tranquilidade do que do lado de fora). A ideia era lanchar, nada de pesado, pois queríamos aproveitar bem aquela tarde passeando na cidade antiga. De onde paramos, demos uma geral no que nossos olhos viam, escolhendo um pequeno local, subindo a rua que ladeia a muralha. O lugar estava recém aberto, pouca gente do lado de fora e ninguém no salão interno. Era tipo fast food, pois as cadeiras eram altas, para ninguém demorar muito ali. O proprietário, muito simpático, nos atendeu no balcão, dando dicas do que comer. Chama-se Forteca o local. É uma sanduicheria, com opções de clássicos como hambúrgueres, passando por sanduíches elaborados por eles, tortilhas, kebabs, nuggets e saladas. Resolvi acatar a sugestão do dono, pedindo um sendvic pilletina (Kn 40), enquanto meu companheiro foi de tortilla forteca (Kn 45). Para beber, ambos escolhemos Schweppes Bitter Lemon (Kn 25 cada garrafa). Demorou para chegar. Tive que perguntar o que tinha acontecido. Depois desta reclamação, os sanduíches chegaram rapidinho à nossa mesa. Eram de bom tamanho, mas não tinham lá um bom visual. O meu veio servido em um pão tipo bagel, mas sem aquele furo no meio, levemente achatado na chapa, como fazem com um panini. Dentro uma folha de alface, dois pequenos pedaços de peito de frango, queijo branco e uma rodela grande de tomate. Era muito seco. Nem o tomate ajudou para molhar um pouco o recheio. Tive que usar ketchup. Era pouco temperado, mais propício para quem curte um lanche mais natureba. A fome era grande, pois já passavam das 15:30 horas. Comi satisfatoriamente, mas acredito que comeria melhor se escolhesse algum lugar dentro da cidade antiga.
Restaurante: Forteca
Endereço: Ul. Između vrta 2, Dubrovnik, Croácia.
Telefone: +385 98 926 2835
Data: 01/05/2017, segunda-feira, almoço.
Valor total da conta: Kn 135, para duas pessoas, sem gorjeta. Pagamento em dinheiro.
Minha nota: 5.

quinta-feira, 13 de julho de 2017

BISTRO DOLAC

A experiência: com raras excessões, sempre temos dificuldades em achar algum lugar aberto para comer algo coisa tarde da noite em um domingo. Em Zagreb não foi diferente. Decidimos comer um prato mais leve perto de meia noite. Consultamos a internet para ver o que estava aberto nas proximidades do hotel, pois não queríamos ir longe. Todos os restaurantes e lanchonetes que achamos ou não funcionavam nas noites de domingo ou já estavam de portas cerradas. Pensamos em comer no hotel, mas nem room service, nem restaurante atendiam àquela hora. Lembramos de nossa caminhada no primeiro dia em Zabreg, quando vimos uma placa de 24 horas na Praça Dolac. Ficava cerca de 300 metros do hotel. Bem agasalhados, saímos em direção à praça. Já na rua, vimos a placa e luzes acesas no segundo piso de um edifício que fica à esquerda da escada que dá acesso à praça, famosa pelo mercado diário que toma conta de cada pedaço de seu espaço todos os dias. Subimos a escada, viramos à esquerda e já estávamos na porta do Bistro Dolac, que realmente funciona 24 horas por dia. Como está em zona hiper turística, com muitos albergues por perto, o bistrô oferece desde café da manhã até lanches tardios. Os atendentes, duas atrás do balcão e um garçom, não estavam com cara de bons amigos. Resolvemos ficar do lado de dentro, onde uma televisão passava uma reprise de um jogo de futebol qualquer. Ali, somente mais duas mesas estavam ocupadas. No lado de fora, mesas ao longo de um corredor não eram convidativas, por causa do vento frio. Queríamos um lanche, algo rápido. Fomos até a vitrine para ver o que tinha, mas não tivemos muita sorte, pois não tínhamos noção do que havia ali e nenhum dos empregados dominava bem o inglês. Reconhecemos as pizzas, mas além de não estarem vistosas, não era essa a nossa vontade. Pedimos o cardápio, na esperança de ter em inglês e estava escrito nas duas línguas: croata e inglês. Escolhemos o mesmo lanche, ou seja, um roll pizza, que era uma mistura de panqueca com kebab (kn 17 cada um). Para beber, também pedimos o mesmo, uma garrafa de 500 ml de Swcheppes Tangerine, que nós mesmos pegamos na geladeira que ficava ao lado da entrada. O garçom anotou o pedido, foi até o balcão, entregou para uma balconista, que retirou os dois rolls da vitrine, colocou no microondas, para, em seguida, voltar com os dois pratos para o balcão. Como um robô, o garçom pegou os pratos, levando-os até nossa mesa. Era aquilo ou era ficar com fome. Comi sem muita expectativa e realmente não tinha muito sabor. Confesso que o recheio tinha um creme branco, tomate e carne de boi, mas sem nenhum sabor. E a massa estava muito tostada nas pontas. Foi uma decepção nossa última refeição na capital croata.
Restaurante: Bistro Dolac
Endereço: Doalc, 1, Zagreb, Croácia.
Data: 30/04/2017, domingo, jantar.
Valor total da conta: Kn 70, para duas pessoas, sendo Kn 4 de gorjeta (demos gorjeta somente para não esperar troco, pois fazia muito frio e tínhamos sono).
Minha nota: 2.

GOOD FOOD - SLASTICARNICA ZAGREB

A experiência: quando estamos viajando, aproveitamos ao máximo o dia, especialmente em longas caminhadas sem rumo. Domingo, dia 30 de abril, foi assim em Zagreb. O céu estava lindo, embora o vento frio ainda insistia em aparecer. Primavera fria croata. A fome deu sinal de vida quando estávamos passeando na Cidade Alta, mas não encontramos nenhum restaurante aberto por aqueles lados. Vimos dois ou três bares e uma pequena mercearia. Nada que nos chamou a atenção. Resolvemos voltar para a área próxima ao nosso hotel. Já eram quase 16:30 horas quando resolvemos parar em uma hamburgueria com nome em inglês: Good Food. Ambiente com decoração moderna, cardápios em croata e em inglês, sem garçons. Você escolhe no balcão, faz o pedido e espera ser chamado. Embora seja uma hamburgueria, há opções de saladas e tortillas, além de sobremesas. O salão é pequeno, com mesas altas, o que provoca às pessoas sentar, comer e ir embora, pois torna-se incômodo para qualquer pessoa se ficar sentado naquelas cadeiras altas por muito tempo. Sucos em pequenas garrafas de plástico (250 ml) nos chamaram a atenção. Nós dois escolhemos o mesmo sabor: squeezed grapefruit, ou seja suco de toranja espremida (ou pomelo, como dizem os de língua espanhola). A elaboração do suco é da própria hamburgueria. Cada garrafinha custou Kn 15. Na boca me decepcionou um pouco, pois esperava aquele sabor amargo, bem marcante da toranja. Para comer, meu companheiro escolheu uma espécie de degustação dos três sanduíches de maior saída do local, o 3 Color Burgers (Kn 42). Três mini hambúrgueres que são servidos em uma charmosa tábua de madeira. Os hambúrgueres, todos vendidos individualmente em tamanho normal, foram o White GF***, o Red-Green Hot Chilly Peppers, e o Black Italian Job. Eu fui de um mais tradicional no paladar, escolhendo o King of BBB (Kn 39). Também servido em uma tábua de madeira, seu recheio tinha um hambúrguer de 200 gramas, queijo cheddar, tomate cortado em rodelas, alface (a parte mais crocante), bacon crispy, maionese, picles e molho barbacoa. Muito semelhante a um sanduba vendido no Burger King. O tomate, para variar, fez uma lambança na mesa e sujou minha roupa. O pão era bem macio, mas não cumpriu a função essencial de segurar o portentoso recheio. A mistura de maionese, picles e molho barbacoa foi excessiva. Pelo menos a carne estava bem temperada e gostosa. Acho que meu companheiro se deu melhor. Os mini sanduíches eram mais fáceis de se levar à boca, eram bonitos de se ver e ele aprovou os recheios, sem fazer nenhuma lambança. Fica a dica!
Restaurante: Good Food
Endereço: Nicole Tesle, 7, Zagreb, Croácia.
Data: 30/04/2017, domingo, almoço.
Valor total da conta: Kn 111, para duas pessoas, sem gorjeta. Conta paga com dinheiro.
Minha nota: 6.

Resolvemos fazer como os croatas, saindo dali para comer a sobremesa e tomar um café em outro local. Mas antes fizemos mais uma longa caminhada, conhecendo algumas das praças bem cuidadas da cidade. Paramos em uma movimentada sorveteria, tradicional em Zagreb. Há mesas no interior, no piso superior, ou na calçada em frente, onde ficamos, com um providencial aquecedor de ambiente por perto. Para pedir o sorvete, fomos até o balcão, escolhemos os sabores, e fomos para a mesa, pois um garçom nos levaria os dois pedidos. O tamanho menor custa Kn 16 com direito a escolher até dois sabores. Eu pedi avelã e laranja, enquanto meu companheiro escolheu chocolate e pistache. Em Zagreb se fuma em qualquer lugar. Assim, nas mesas do deque da calçada o que mais tinha era gente fumando. Um garçom mal humorado nos trouxe os sorvetes, quando pedi um espresso (Kn 18) e uma garrafa de Coca Cola Zero de 250 ml (Kn 15). O meu sorvete estava muito bom, especialmente o de laranja, com a acidez característica se destacado no paladar, sem incomodar, sem ser agressivo. Meu companheiro não gostou do sabor pistache, dizendo que lhe faltava algo. Depois de algum tempo, chegou o café, junto com o refrigerante. Chegou frio e muito forte. Lição tirada: café não se pede quando estamos em um local muito frio e nos sentamos no lado externo. A probabilidade de chegar frio é perto de 100%.
Restaurante: Slastičarnica Zagreb
Endereço: Masarykova, 4, Zagreb, Croácia.
Data: 30/04/2017, domingo, início de noite.
Valor total da conta: Kn 65, para duas pessoas, sem gorjeta, pois achamos o serviço muito ruim. Conta paga com dinheiro.
Minha nota: 6.

terça-feira, 11 de julho de 2017

POD ZIDOM BISTRO & WINE BAR

A experiência: sábado foi um dia de muita caminhada por Zagreb. Cansados, mas animados para um jantar em local agradável. Sem indicações, consultei o Trip Advisor, aplicativo que não confio muito, mas que ajuda nestas horas que você está sem rumo. Li muitas resenhas de restaurantes que ficavam próximos ao Hotel Dubrovnik, onde estávamos hospedados. Decidimos ir ao Pod Zidom, autodenominado bistro & wine bar. Era bem perto do hotel, cerca de 500 metros. Fomos à pé, sem reserva. Na calçada, há um deque, mas a noite estava bem fria para ficarmos naquelas mesas externas. Entramos e pedimos uma mesa para dois. Já passavam das 21:30 horas. O atendente disse que só havia uma mesa disponível, quando nos mostrou uma próxima da parede de vidro que dá para a rua, mas as cadeiras eram daquelas altas, que o pé da gente fica flanando no ar. Recusamos e, por passe de mágica, apareceu uma mesa bem mais cômoda, na outra parte do pequeno salão em formado de um ele (L). Ao nosso lado, uma mesa cheia de jovens comemorava um aniversário e em nossa frente, um banquinho e uma guitarra, ou seja, música ao vivo! O cantor desfilou, enquanto lá ficamos, um repertório de sucessos internacionais, todos em língua inglesa. Não sou fã de música ao vivo em restaurante e aquilo já me baixou as expectativas. Logo nos mostraram o cardápio, em inglês, porque de croata não entendo uma palavra sequer. Como todo bistrô que se preze, o menu era bem enxuto, tanto o de comidas quanto o de bebidas. Estava vigendo o Spring Menu, ou seja, o menu de primavera, com opções de sopa (sopa de aspargos), entradas (quatro opções), tapas (uma única opção, uma espécie de tábua com uma seleção feita pelo chef da casa), um risoto da estação, oito pratos principais, e quatro sobremesas. Os vinhos disponíveis eram apenas de produção croata. Pedimos indicação para a sommelier, que nos propôs um pinot noir. Na noite anterior, tínhamos provado e aprovado um pinot croata, motivo pelo qual acatamos esta sugestão. Bebemos uma excelente garrafa de Korak Pinot Crni, safra 2015, com 13% de álcool (Kn 265). É claro que não entendemos nada do que estava escrito na garrafa. Para acompanhar, bebemos água mineral com gás, garrafa de 750 ml  (Kn 24), da marca croata Jamnica, que tem um gás equilibrado e é gostosa no paladar. Como entrada, nós dois dividimos polvo (Kn 68), que veio em bonita apresentação, cortado em cilindros, acompanhado por chips de alho poró, creme de azeitonas pretas e redução de vinho tinto da casa. A carne do polvo não estava no ponto exato, mas também não chegava a ser borrachuda. Estava com tempero bem suave e se notava que era bem fresco. A redução do vinho foi essencial para a harmonização com o pinot que estávamos bebendo. Em seguida, chegaram os pratos principais. Para meu companheiro, carne de porco (Kn 96) em duas apresentações: filé e croquete, acompanhado por aspargos, cebola e dips de queijo cottage. Já eu escolhi o peito de pato (Kn 122). Servido em fatias, mais cozidas do que devem ser, o que deixou a carne dura. Trocaram o pão descrito na carta por uma cama de purê de batatas, que estava bem cremoso. Completou o prato uma salada de acelga, couve mizuna e funcho, nada com muito sabor. Achei esta salada dispensável. Destaco a parte bem crocante da carne de pato, que veio por cima de cada pedaço do peito. Era bem temperada e deu uma elevada no sabor de todo o conjunto. O vinho surpreendeu-me, pois não fez feio ao harmonizar com o pato. Decidimos experimentar a sobremesa indicada pelo garçom, a lava café (Kn 36), nada mais, nada menos, que o onipresente petit gateau. Sem comentários. Era hora de pagar a conta. Já passava da meia noite, o local já estava ficando vazio, o parabéns da mesa ao lado já havia sido entoado (é muito estranho ouvi um parabéns em língua que você não domina) e até o cantor já tinha cantado dois sucessos da música pop croata.
Restaurante: Pod Zidom Bistro & Wine Bar
Endereço: Pod Zidom, 5 , Zagreb, Croácia.
Telefone: +385 99 325 3600
Data: 29/04/2017, sábado, jantar.
Valor total da conta: Kn 620, para duas pessoas, incluindo gorjeta. Conta paga com dinheiro.
Minha nota: 5.

terça-feira, 4 de julho de 2017

PECENJARA IVO

A experiência: sábado frio com chuva fraca. Foi assim nosso primeiro dia inteiro em Zagreb. Depois de muito bater perna, especialmente pelos principais pontos de interesse da capital da Croácia, era hora de procurar um local para comer. Na verdade, passava, e muito, da hora, pois ao consultar o relógio, percebemos que a tarde já ia longe: eram 16 horas. A ideia era comer algo típico, mas não tínhamos nenhuma indicação no local onde estávamos. Andamos para baixo e para cima em uma rua repleta de bares e pubs, mas nada nos chamava a atenção. Eram locais mais propícios para um esquenta pré balada. Enfim, encontramos um pequeno restaurante, cujas poucas mesas ficavam na calçada. Seu nome: Pecenjara Ivo. Pecenjara pode ser traduzido como "churrascaria". O vento estava muito frio, mas a fome falava mais alto. Sentamos em uma mesa mais protegida do vento que vinha encanado do cruzamento de duas ruas de pedestres. O garçom estava com cara de poucos amigos, sem se esforçar em nos atender. Ele colocou os cardápios em cima da mesa e se foi. Ainda bem que estavam em inglês e tinha fotos dos pratos. Poucas opções, todas elas baratas e com uma pegada fast-food. Alguns pratos passavam por nós e ficamos curiosos, mas não havia como o garçom chegar perto para nos dar informações. Se não tivesse andando tanto e a fome não fosse tão forte, teria levantado e saído dali. Como estava com algumas anotações sobre a gastronomia croata, via que o restaurante tinha o cevapcici, um prato muito consumido na Croácia, herança de quando os turcos dominaram toda a região. Pedimos dois deles: cevapcici u lepinji (30 kunas cada um). Não demorou a chegar, pois os ingredientes já estão prontos, bastando um tempo na grelha. No prato um pão pita grande, quentinho, aberto e recheado com muitos bolinhos de carne moída, como se fossem kaftas. No caso, eram feitas de carne bovina, bem temperadas, mas com um pouco de gordura. O acompanhamento era apenas cebola crua picada de forma rústica, sem padrão no formato. O melhor do prato era o pão. Deu vontade de pedir outro. A cebola cumpriu a função de dar crocância ao conjunto, mas não acrescentava muito em sabor. Enfim, matou nossa fome. Para beber, uma garrafa de 250 ml, padrão na Croácia, de Coca Cola Zero (20 kunas). Como o serviço foi horrível, não exitamos nenhum segundo em não deixar gorjeta ao pagar a conta.
Restaurante: Pecenjara Ivo
Endereço: Tkalciceva 2, Gornij Grad - Medvescak, Zagreb, Croácia.
Telefone: +385 (0) 1 4816 295
Data: 29/04/2017, sábado, almoço.
Valor total da conta: Kn 100, para duas pessoas, sem gorjeta.
Minha nota: 4.

segunda-feira, 3 de julho de 2017

3ª REUNIÃO - CONFRARIA BEAGÁ

Com nova grafia no nome, a Confraria Beagá conseguiu chegar à sua terceira reunião, realizada em 19 de maio de 2017, no apartamento de Leo e Gastón. Desta feita, com apenas cinco confrades: Leo, Emi, Rogério, Marcelo e Luís Fernando, pois Sônia não pode comparecer. Mais uma rodada de papo, risadas, degustação de vinhos e ótima comida. Eis os vinhos da noite:


Vinho 1: Tapada de Coelheiros

Safra 2009, com 14,5% de gradação alcoólica, elaborado com 50% de uvas cabernet sauvignon, 30% trincadeira e 20% aragonez pela Herdade dos Coelheiros, na região do Alentejo, Portugal (Vinho Regional Alentejano). Ficou em decanter por 45 minutos antes de ser servido. Na taça, revelou uma cor rubi, enquanto que no nariz, os confrades sentiram frutas negras, azeitonas, pimentão verde e especiarias. Na boca, taninos presentes, delicados, harmônicos, redondos, revelando-se um vinho elegante. Ainda na boca, o vinho lembrou os vinhos produzidos na França. É importado para o Brasil pela Mistral, custando R$ 338,21. Sua colheita é feita de forma manual. É não filtrado e estagia 12 meses em barricas de carvalho francês e mais 12 meses em garrafa antes de chegar ao mercado. Tem potencial de guarda para mais ou menos dez anos. Harmoniza bem com carnes assadas, queijos de pasta mole ou meia cura, carnes de caça ou risotos. Foi o campeão da noite, sendo o preferido por Marcelo, Luís Fernando e Leo.

Vinho 2: Quinta do Carmo Reserva

Safra 2011, com 14,5% de gradação alcoólica, elaborado com 50% de uvas aragonez, 20% cabernet sauvignon, 20% syrah e 10% trincadeira, pela Sociedade Agrícola Quinta do Carmo, na região do Alentejo, Portugal. Ficou em decanter por 60 minutos antes de ser servido. Cada casta é vinificada separadamente em tanques de inox. Este vinho somente é produzido em anos de safras excepcionais. Na taça, revelou uma cor rubi fechado, com reflexos púrpura. No nariz, os confrades sentiram compota de frutas vermelhas e geleia de mirtilo. Na boca, frutas em compota, com taninos presentes, ervas, um pouco adstringente, acidez bem acentuada. É importado para o Brasil pela Mistral, custando R$ 271,65. Estagia 12 meses em barricas de carvalho francês novas. Seu potencial de guarda é para mais de dez anos. Harmoniza com carnes de boi e de cordeiro.

Vinho 3: Mouchão

Safra 2011, com 14% de álcool, elaborado com as uvas alicante bouschet e trincadeira, por Herdade do Mouchão, na região do Alentejo, Portugal. Ficou decantando por 70 minutos. Cor rubi bem fechado. No nariz, sentimos geleia de frutas, terra molhada e menta. Na boca, revelou-se adstringente, com acidez e taninos presentes, menta, com forte amargor ao final. Estagia 24 meses em barricas de carvalho, macaúba e mogno, todas de origem portuguesa, além de 24 a 36 meses em garrafas antes de ir para o mercado. É importado para o Brasil pela Adega Alentejana, custando R$ 270,10. Tem potencial de guarda para mais de dez anos. Foi o preferido da noite por Emi e Rogério.

Terminada a degustação, teve início o jantar, composto de quatro etapas. Durante o jantar, tomamos o vinho português Adega de Borba Reserva, produzido na região do Alentejo, Portugal, pela Adega Cooperativa de Borba, safra 2013, elaborado com as uvas aragonez, trincadeira, castelão e alicante bouschet, tendo 13,5% de álcool. Custou R$ 94,80 na Super Adega. Eis nosso jantar, preparado pelo argentino Chef Gastón Almada:


Amuse bouche: bolinho cremoso de bacalhau em cama de maionese de azeitonas pretas.
Entrada: bacalhau cozido sobre pasta de pimentão vermelho defumado, com gotas de maionese de azeitonas pretas como acompanhamento.
Principal: papardelle salteado em alho e salsinha, com ragu de pato.
Sobremesa: pavlova com frutas frescas, recheada com creme de confeiteiro, e acompanhado por redução de ginjinha, o famoso licor português.